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Monstros Fantásticos no Mundo das Trevas

13/04/2012

O mundo está cheio de monstros – ou assim o nosso folclore nos quer fazer crer.

Quando o sol desaparece, o céu torna-se uma catedral escura. De suas catacumbas, pesadelos emergem para o ar livre e fresco, bamboleando para fora, para matar sua fome, de preferência com carne inocente e almas. Se deve-se acreditar nas antigas lendas, a terra treme sob uma cavalgada monstruosa como o crepúsculo desvanesce no anoitecer e o anoitecer se aprofunda em noite. Nas margens distantes da Cristandade, os monstros se divertem durante o dia todo, avançando sobre as ruínas do deserto e saltando sobre os picos das montanhas em comemorações pagãs ao triunfo do Diabo.

Isso é o que nos dizem. Isso é em que as pessoas acreditam. Este é um mundo de Fantasias Sombrias, onde a maravilha e o terror dançam nas sombras até o amanhecer.

Quão real é a imagem?

O quão verdadeiro você quer que seja?

Verdade, Fantasia e Monstros

Sombrio como pode parecer, este mundo não está cheio de monstros. Não é verdade. Embora as montanhas, rios, mares e desertos desta era mítica fervam com estranhas e maravilhosas criaturas, o monstro final é a imaginação humana.

Para a audiência do homem comum, monstros são tão reais quanto suas lendas. Um explorador visitando uma terra distante não é conteúdo o bastante para uma lenda de um veado de grande porte com uma coloração estranha – a sua audiência não quer algo assim tão chato! Não, o explorador deve povoar suas jornadas com homens de uma perna só, montanhas falantes e coelhos com dentes como navalhas. O veado estranho, portanto, se torna rebanhos de corcéis demoníacos vermelh-sangue, trovejando através de uma paisagem infernal de uma escuridão fervilhante. Claro, o explorador nunca viu essas coisas, mas ele gostaria que os seus ouvintes acreditassem que ele viu.

Consequentemente, o homem racional diz que feras estranhas não existem. São simples fábulas, mitos e “contos de pescador”, projetadas para emocionar o ouvinte, fazê-lo rezar pela misericórdia dos Céus e abandonar o contato com o Diabo, enquanto, secretamente, deseja que tivesse sido o único a ver os rebanhos demoníacos. Esta é a verdade. Certo?

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Errado.

Certas coisas existem. Talvez não na profusão e variedade que as lendas contam, mas existem.

No entanto, não será por muito mais tempo.

Não é comum começar assim, mas as criaturas das lendas estão morrendo. Descrença, multidões, perda de espaço e de alimento e a maré sempre crescente da humanidade está afastando as coisas selvagens. Serão décadas, talvez séculos, antes que o último grifo voe no céu escuro, mas com o tempo, sua espécie desaparecerá. Mesmo na era das Trevas Fantásticas,  no entanto, a maioria das grandes bestas caíram perante o monstro final. Caçados pelos caçadores de dragões, mortos de fome em habitats diminutos, usados como bestas de guerra lutando pelos magos ou simplesmente deixados quase loucos pela invasão humana e pelo flagelo de Deus, criaturas mágicas passaram para além das Brumas. Em breve eles serão fantasia, fantasmas pálidos de seus eus anteriores, bordados com contos populares e tornados bastardos por um mundo que anseia por monstros, mas não pode aguentar mantê-los.

No entanto, a besta final tem outra face: aquela do Trocador. Povos que  que caminham do lado selvagem da cerca notaram uma alarmante – e controversa – tendência ao longo dos últimos séculos. Como o folclore cresce mais sombrio, como os contos de criaturas maravilhosas se tornaram contos de monstros homicidas, os animais reais começam a refletir esses contos. Novos monstros da noite surgem, sedentos de sangue de uma forma que seus primos mais velhos raramente eram. A hidra ocasional ou o Leviatã dormente deram lugar a carniçais vorazes, dragões destruidores de vilas e krakens devoradores de navios. Se, como alguns magos afirmam, a vontade do homem molda a Criação de Deus, sua vontade mexeu com o ninho de víboras das coisas ímpias. Ninguém é tolo o suficiente de sugerir que a imaginação humana só deseja essa raça mortal de monstros – muitos deles anteriores ao Éden – mas existem poucas dúvidas de que os grandes animais adquiriram apetites sombrios e temperamentos mais agressivos do que tinham antes. Enquanto a humanidade os empurra mais e mais para lugares ocultos e perturba cada vez mais os segredos da Natureza, os monstros emergem das sombras, mais famintos e irritados do que jamais estiveram antes.

O mundo de Fantasia Sombria, em muitos aspectos, é a casa dos últimos monstros. Se o mundo passa por uma Idade da Razão, animais de origem mágica deixarão de existir; se a Razão falhar e os mistérios triunfarem, uma nova raça de monstros – criados pelo desespero e alimentados pelo medo humano – podem ascender na noite para esmagar o mundo.

Adentremos essa noite e encontremos os monstros cara a cara.

Podemos até achar que os monstros somos nós.

Artigos

Guia de Monstros

Dragões

Fonte: The Bygone Bestiary – páginas 10 e 11
Tradução: Eva

Sobre Eva

Escritora, tradutora e revisora, macumbeira feminista, maga da Ordem do Dado, colaboradora da Dragão Brasil, Oráculo do Livro dos Espelhos e editora da Aster Editora.

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