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Dragões no Mundo das Trevas II

22/03/2012

Depois da lenda, ou de uma delas, existem os fatos. O que realmente são os dragões do Mundo das Trevas?

Descrição

Aqui existem dragões. A inscrição, inevitavelmente, marca a mais distante, mais inacessível e menos hospitaleiro canto do mapa. O navegante sábio nunca lê tal frase em voz alta, embora possa possa tocá-la no mapa, ameaçadoramente, com a ponta de sua luneta. Um certo poder se agarra a sílabas o bastante – não só combustível para o motim, mas para algo mais grandioso – para que as palavras conjurem um. Seu sussurro evoca muitas imagens de um pesadelo de fúria primal, avareza, caos, astúcia e destruição.

O Iluminado, no entando, deve aprender a ver além do pesadelo. O primeiro passo para penetrar o véu de segredos em torno dos grandes wyrms é perceber que um dragão é uma criatura paradoxal. Os conhecimentos arcanos proferidos em todas as gerações revela um lado muito diferente destes seres complexos. Os escritos místicos constantemente relatam os dragões como de uma majestade, sabedoria, sofisticação e arte inigualáveis.

Os grandes wyrms incorporam toda a terrível beleza que a natureza tem para oferecer. No dragão, encontramos todo o reflexo mais sombrio no cerne do homem. O dragão é o puro desejo repleto de fúria. Nossos desejos, nossa ganância, nossas fomes vorazes encontram sua expressão máxima nestes grandes animais.

Provavelmente existem tantas histórias sobre a criação dos dragões como existem dragões em si. Cada um dos grandes wyrms são uma verdadeira força da natureza com um alcance de tempo de vida que se estende de volta aos alcances dos tempos da escuridão. Só os muito tolos ou presunçosos pensariam em realmente questionar a história de um dragão sobre suas origens. O fato que importa é que cada um desses seres lendários tem a longevidade, poder e a convicção para criar histórias a sua própria imagem. A maioria dos grandes wyrms, se eles se sentem inclinados para dar qualquer conta que seja a respeito de si mesmos, relataria contos de como a sua raça surgiu diretamente a partir do Caos Primordial. Esta afirmação pode não estar muito longe da verdade.

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Até mesmo as lendas de criação da própria humanidade tendem a reconhecer os dragões como os Primogênitos. Alguns estudiosos sugerem que os dragões não são, na verdade, criaturas completamente mortais, mas encarnações da própria paixão da criação, aproveitados pelo intelecto e resplandecentes com o poder não ligados aos elementos. É possível que os grandes wyrms sejam criaturas de pura Quintessência, fios soltos e crepitantes da Tapeçaria da Tellurian com poder bruto e indiferenciado. Um mito vai tão longe como um que alega que os dragões não são realmente parte da Tapeçaria, mas que surgem diretamente nos espaços escuros entre a trama e sua tessitura, onde o caos oculto do universo se expõe.

A própria existência dos dragões é uma acusação lançada contra a humanidade. Encontrar um grande wyrm é como ficar de frente para o próprio reflexo em um espelho escuro. Ao mesmo tempo, o dragão personifica todo o poder sem controle da Natureza. Em todo o mundo, é creditado aos dragões a criação de tempestades e incêndios, raios e enchentes, fome e pragas, tufões e furacões, terremotos e erupções vulcânicas, turbilhões e maremotos.

O dragão é o executor irracional da ordem natural. Ele é literalmente o flagelo da Terra – o chicote de seu descontentamento com a presunçosa humanidade. Um grande wyrm encarna a relação do homem com a natureza. Dentro de suas brilhantes voltas, não encontramos uma ordem natural a ser conquistada, catalogada e cultivada, mas a fúria selvagem da natureza que deve ser satisfeita para assegurar a sobrevivência.

Caça ao dragão é um passatempo popular a todos os cavaleiros Sidhe, ainda que realmente encontrar um dragão contra o qual lutar seja uma questão completamente diferente. Mesmo dragões quiméricos devem ser criaturas um tanto raras em uma crônica de Changeling. Eles podem aparecer como servos poderosos de um dos inimigos do personagem, ou como o próprio inimigo. A aparição de um dragão deve sempre ser um acontecimento importante em uma crônica. Trivializar algo como uma grande e poderosa fera é um desserviço para a crônica.

Dragões não precisam ser sempre inimigos na crônica. Histórias de dragões atuando como mentores ou aliados são comuns na ficção fantástica. Viradas interessantes na história podem ser desenvolvidas em torno de um dragão que se acredita primeiro ser um inimigo, mas que, na realidade, quer apenas ser deixado em paz.

Fonte: The Bygone Bestiary
Tradução: Eva

Sobre Eva

Escritora, tradutora e revisora, macumbeira feminista, maga da Ordem do Dado, colaboradora da Dragão Brasil, Oráculo do Livro dos Espelhos e editora da Aster Editora.

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