Drive Thru RPG

A Trilha Frágil: Uma Breve Introdução

17/01/2012

Por Porthos Fitz-Empress, Hermes bani Flambeau, Mestre Drua’shi e Primus Diácono da Capela Doissetep

Meu pupilo Mahmet diz, assim como minha própria experiência, que ninguém escuta um velho divagar nos dias de hoje, mesmo que este velho possa mover montanhas com um pensamento. Portanto, esforçar-me-ei para ser breve. Um livro moderno deve dar um soco, um gancho; os leitores devem ser arrebatados das águas da apatia e confiarem no objetivo do trabalho antes que se entediem e ao invés disso leiam uma revista. Devo abrir mão de minhas opiniões sobre esta situação e, sem mais comentários, ir direto para o gancho:

ESTAMOS VENCENDO A GUERRA, MAS PERDENDO O MUNDO, PORRA!!!

MUITAS PESSOAS MORRERAM PARA NOS DAR O QUE TEMOS HOJE! PESSOAS, NÃO NÚMEROS NUM LIVRO DE HISTÓRIA! SERES HUMANOS, COMO VOCÊ OU EU, QUE SACRIFICARAM TUDO O QUE TINHAM PARA NOS GARANTIR UM FUTURO!

NÓS PRECISAMOS LEMBRAR DELES, E DAS COISAS PELAS QUAIS ELES LUTARAM, OU ACABAREMOS PERDENDO TUDO QUE TEMOS AGORA E JÁ TIVERMOS SONHADO EM TER ALGUM DIA!

Nada sutil, mas acredito que explicitei meu objetivo.

Este é um livro dos mortos, os Testemunhos finais de cinco magos que ajudaram a fundar nossa augusta união, que viajaram, com outros quatro, ao redor do mundo e sacrificaram tudo o que tinham por uma chance de trazer o maravilhoso de volta ao mundo. O Maravilhoso através da força, pureza de visão e mágika.

Eles falharam. No entanto, triunfaram.

Este grupo, chamado Primeira Cabala das Nove Tradições Místikas, caiu diante das espadas dos primeiros Tecnomantes, do cruel Paradoxo e da traição de seu próprio líder. Sua derrota quase destruiu a frágil união do nosso Conselho; uma Tradição foi banida logo após a Grande Traição e do julgamento que se seguiu, e os quatro magos restantes desta Cabala seguiram caminhos diferentes, desesperançados e desiludidos. No entanto, nosso Conselho resistiu; nós sobrevivemos à Traição e à mácula dos nossos sonhos, à fragmentação dos Solificati e à deserção de muitos Oradores dos Sonhos e Irmãos de Akasha quando suas terras natais caíram sob ataque ocidental. Nós sobrevivemos ao Paradoxo, ao Pogrom e até mesmo à destruição dos nossos irmãos Ahl-i-Batin (se é que eles realmente não existem mais) e à introdução dos Filhos do Éter e dos Adeptos da Virtualidade em nosso meio. Apesar da perseguição Tecnocrática, o nosso Conselho prevaleceu.

E eu vi tudo isto.

E eu vi tudo isto ser esquecido.

E eu chorei, pois conhecia esses cinco, e os outros quatro que foram assasinados. Eu participei do julgamento do Heylel, e senti as lágrimas de Bernadette no ombro do meu robe. Eu chorei no dia em que Eloine, a quem eu tinha desejado, deixou o Horizonte para sempre, seus olhos e seu espírito, com os quais ela havia me encantado abatidos, mortos como aquele que havia sido seu amante. Eu fiquei quando Falcão Peregrino entrou na névoa que conduzia para sua terra natal, desgostoso com a visão dos homens brancos, e eu tremi quando abri o pergaminho com as revelações de Akrites o Vidente, que sabia, duzentos anos atrás, que eu escreveria este mesmo livro. Esta estória ainda é uma história viva para mim.

E eu a vi passar, estéril, para livros didáticos, apenas mais fatos para serem aprendidos para agradar a um tutor severo e então esquecidos quando a aula acaba.

Mas os ensinamentos dos Despertos nunca devem acabar. Pelo divino Avatar dentro de cada um de nós, estamos presos à história exatamente da mesma forma como somos encarregados de criá-la. Nós, de todos os mortais, não podemos esquecer o que se passou antes de nós. Nem podemos relegar a história a papéis e então enfiá-los nas prateleiras da biblioteca, apenas mais um livro a ser verificado quando necessário. Nós somos história, o passado, presente e futuro encarnados, e não devemos esquecer aqueles que se foram antes de nós – o que eles fizeram, o que deram, o que eventualmente ganharam – para que nos tornemos o último capítulo do último livro de história.

Este é o conto da Primeira Cabala; cinco testamentos, além de minhas próprias observações e comentários. Como tão poucos de nossa espécie tem a tolerância para penetrar nas antigas terminologias, eu tomei a (trabalhosa) liberdade de traduzir estes testemunhos para o inglês moderno (e espanhol, alemão, latim, hebraico, francês, japonês, mandarim, bantu, cherokee e árabe, nas traduções apropriadas) e postei uma simulação em realidade virtual (com a ajuda de Tsun-Hsing Kao, Felicia Thomas e um grupo de dedicados estudiosos e atores – ver meus Agradecimentos) na Rede para aqueles que desejam experimentar o peso pleno dos eventos. Talvez, reunindo-os, juntos pela primeira vez, eu tenha adicionado um sexto Testemunho àqueles. Pois, embora eu não fosse parte da Primeira Cabala, seu destino – e redenção final – tem me assombrado por meio milênio.

A Brief Introduction: The Point of This Book
Fonte: The Fragile Path – Testaments of the First Cabal – páginas 4-5
Tradução: Eva

Sobre Eva

Escritora, tradutora e revisora, macumbeira feminista, maga da Ordem do Dado, colaboradora da Dragão Brasil, Oráculo do Livro dos Espelhos e editora da Aster Editora.

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