Drive Thru RPG

Um Conto Desaurido

21/11/2012

Hoje trazemos pra vocês um conto escrito depois de pedidos do pessoal a respeito de artigos sobre Desauridos de Mago: A Ascensão feitos pela Emi. Espero que gostem. Peguem a pipoca, o suco de groselha, e aproveitem o conto :P

Um Conto Desaurido

Dra. Méndez,

Escrevo para reportar o nosso encontro com o que a cabala Lança de Athena só pode descrever como um mar de insanidade. Enquanto explorávamos o lado dito assombrado do bosque de São Pedro, conforme pedido por nossos companheiros da capela local, nos deparamos com vegetação cerrada e densa, luxuriante de uma forma que ainda não havíamos visto, especialmente considerando a seca na região. Árvores frutíferas cresciam por todo lado, pássaros de espécies exóticas mantinham ninhos quase rentes ao chão, e – pasme – temos o registro de ao menos dois avistamentos de agrupamentos de unicórnios pastando livremente entre as árvores, e descansando em clareiras.

Ao nos aproximarmos da caverna de onde os sinais estranhos emanavam (Consulte anexo A para informações sobre o mapa do bosque), tivemos um imenso susto. Não só havia um pequeno templo erguido na entrada, como havia um imenso dragão vermelho ali, deitado em meio a notas de dinheiro, cartões de crédito, bilhetes de loteria e caixas rápidos de bancos inteiros. Não houve tempo de nossa cabala se retirar sem ser notada – não por falta de cuidado, mas pelo dragão não estar desacompanhado. Fomos notados pela companheira do dragão – que reconhecemos como uma Desperta. Uma moça já pelos 30 e poucos anos, de cabelos muito compridos e vermelhos, os olhos azuis um tanto enlouquecidos e usando jeans e camisetas muito gastos. Convidou-nos a aproximarmo-nos do ‘acampamento’ de ambos, e se apresentou como Rafaela, herdeira da Casa do Dragão e guardiã daquelas terras. Acabamos cedendo ao convite por medo de sermos perseguidas, se tentássemos fugir. O pequeno templo parecia construído de mármore e tampas de garrafa, com um pequeno riacho de águas douradas correndo em seu meio. O dragão não acordou até mais tarde, fato que descreverei adiante.

Por estarmos a dias na estrada, e talvez por uma irracionalidade que tomou conta de todas as três membras da cabala, a comida que nos foi oferecida foi aceita. Latas de Coca-Cola geladas, comida chinesa e pratos que nunca vimos antes, alguns um tanto exóticos, outros aparentemente tirados de desenhos animados. Comemos bem, e nossa anfitriã parecia razoável, apesar de tudo. Disse-nos que o templo foi erguido para si, e por si – ela era a rainha daquelas terras, e o dinheiro que o dragão guardava era meramente o pagamento pela proteção àquelas terras. Mas seus súditos estavam complicando tudo – aparentemente, agora pessoas vigiavam essas casas bonitas onde guardavam suas moedas, e por isso ela instaurara a seca nas cidades vizinhas. Segundo Rafaela, a seca continuaria, até que ela pudesse ter outra vez seu pagamento.

Logicamente, isso era impossível. Os relatos de incêndios em casas lotéricas e bancos das cidades vizinhas eram alarmantes, e a seca já continuava por longos meses. Mas como explicaríamos isso para uma senhora que possuía um dragão de estimação? Não tínhamos nem poder de fogo nem de convencimento para tal, e nos consideramos prisioneiras daquele lugar.

Nossa anfitriã não permitiu que fôssemos embora, dizendo que sentia falta de companhia, e que seu templo era um bom lugar para morar. O dragão foi despertado, apenas para tomar nossas mochilas, enquanto a hermética do grupo tentava observar sua natureza. Sem meu ternário, e minhas companheiras sem seus instrumentos, estávamos à mercê da dupla. Durante o dia éramos vigiados por guardas feitos de metal, e durante a noite, presas em nossos quartos no templo.

No terceiro dia de nossa estadia, vimos o dragão levantar voo com Rafaela, e sumir numa imensa nuvem cor de rosa. Horas mais tarde, os dois retornaram carregando um carro de transporte de dinheiro, e o que parecia ser uma pequena coleção de ursos de pelúcia. Rafaela se mostrava ainda mais instável, falando com tristeza sobre como seus súditos tentaram reagir com tiros quando ela desceu para buscar seu tributo em dinheiro. E, pasme, que haviam atirado no dragão, que mostrava uma asa bastante ferida. A eterina do grupo tentou argumentar com Rafaela, e pedir que nos deixasse ir e conversar com a população. Rafaela nos ignorou e entrou em sua caverna, pedindo para não ser interrompida.

Naquela noite, tentamos fugir, enquanto o dragão era tratado pela Desaurida. Embrenhamos-nos no mato, mas descobrimos de forma dolorosa que as árvores mudavam de lugar e em muitos pontos atrapalhavam nossa passagem. Caminhamos por duas horas, e por fim, descobrimos que tudo não passou de uma volta ao redor do templo, onde acabamos desembocando pelo lado contrário ao que saímos.

Rafaela se mostrou cansada, e nos pediu que não repetíssemos a fuga, que da próxima vez não seria tão gentil. Prometemos não fugir, e outra vez, argumentar que a seca mataria todos os “súditos”. Ela disse que estava pensando nisso.

Passamos três dias presas. A comida nos era trazida por pandas vestidos de anjos, criaturas de pelúcia que tentavam nos alegrar. Ao notar que não conseguiam, corriam em prantos para fora dos quartos, e se atiravam no chão, esperneando. Nesses dias presas, notamos rachaduras no material do templo. Os pandas já não andavam direito, e a comida cada vez mais parecia ter gosto de cinza.

Na manhã do sétimo dia, uma das alas do templo ruiu. Ouvimos gritos de fúria e Rafaela nos acusou de estar trazendo a ruína à sua porta. Exigiu que um sacrifício fosse feito para apaziguar sua ira. O dragão parecia cada vez mais doente, uma de suas asas estava enegrecida e exalava um cheiro forte de decomposição. Recusamos-nos a fazer um sacrifício – ou ser um sacrifício. Só podíamos contar com a sorte, e que nos localizassem logo.

Fomos amarradas em uma pira imensa, e enquanto discursava, numa língua que nunca ouvimos antes, Rafaela tocava fogo no próprio templo, em seus pandas, em seu pomar. Estávamos apavoradas, e dei ordem apenas a meu familiar que se salvasse, se escondendo na floresta por tempo o suficiente para que pudesse tentar voltar à Umbra, ou em último caso, vivesse ali por tanto tempo quanto conseguisse. Ele se negou a separar-se, permanecendo comigo na pira, enquanto Rafaela finalmente ordenava que seu dragão tocasse fogo nela.

Acho que nunca senti tanto pânico, ou tanta dor na vida. Minha visão se apagou enquanto o fogo tomava conta da pira e de nós, a fumaça queimando o pulmão e os olhos.

Não lembro quanto tempo se passou, mas a líder de nossa cabala, a hermética, quem me acordou. Estávamos as três em meio a uma clareira, meu familiar a salvo, nossas roupas queimadas, porém ainda inteiras. Não havia nem sinal da caverna ou do templo, muito menos do dragão imenso e de sua amiga. Perdemos nosso equipamento, mas graças a um esforço conjunto, conseguimos chegar até a cidade mais próxima. Nesse ponto, descobrimos que uma parte da floresta foi toda tomada por um incêndio terrível. Justamente a parte onde a caverna se localizava. (O anexo B mostra a área das secas, enquanto o anexo C mostra a localização dos focos do incêndio) Nossos companheiros de capela chegaram para nos resgatar no mesmo dia, e segundo eles, não foi possível encontrar qualquer sinal da caverna ou de um templo em meio ao incêndio.

Enquanto nos preparávamos para deixar a cidade, nuvens de tempestade se formavam no horizonte. Ouvi dizer que choveram três dias seguidos, uma chuva densa e lamuriosa, com um vento que parecia chorar.

Só posso imaginar o que aconteceu com o templo, ou a maga, ou seu companheiro dragão. Os roubos a agencias bancárias e lojas pararam, mas as lendas de assombração não deixaram o bosque. Continuaremos a monitorar a situação pelos próximos meses, em busca de mais explicações.

Raccoon bani Adeptos da Virtualidade

 Autora: Emi

Sobre Colaboração

Artigos publicados por leitores ou ex-autores do blog, que gentilmente colaboraram conosco ao longo dos anos. Artigos de opinião não necessariamente expressam a opinião das autoras do blog; traduções e resenhas têm suas informações checadas.

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