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Sluagh – Changeling: O Sonhar

31/07/2014

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“Por que veio ao meu sótão perturbar meu descanso? Você está aqui para encontrar coisas do passado? Cuidado para não abrir algo que não conseguirá fechar…”

Pronúncia: SLU-aa

Chamados por muitos de subpovo, os Sluagh geralmente são párias mesmo entre as outras fadas. Apesar dos rumores persistentes sobre catacumbas subterrâneas e covis labirínticos, a maioria dos sluagh prefere mansões vitorianas arruinadas aos úmidos sistemas de esgoto. Eles se deixam atrair por lugares escuros e esquecidos. Aqueles que invadem seus aposentos secretos costumam ser acometidos por pesadelos. Assim como dão valor a segredos e mistérios, os sluagh apreciam a privacidade e se empenham em criar reputações que desencorajam os visitantes.

Os folcloristas dizem que esses kithain foram outrora fadas russas que viviam sob as montanhas ou as lareiras dos mortais. Hoje, eles vivem longe dos olhos e se escondem nos valhacoutos * do mundo até decidirem se aventurar lá fora, às vezes no paço, às vezes nas cercanias dos mortais. Quer vivam nos salões ou nos porões, os sluagh são inquietantemente educados e adoram a formalidade. Isso amedronta ainda mais os outros kith; os boggans falam de rituais secretos, sacrifícios e massacres selvagens promovidos pelos sluagh nos subterrâneos. O subpovo gosta do efeito que causa nas pessoas e se diverte com a reputação que adquiriu. Até mesmo os redcaps temem seu toque pegajoso.

Apesar de preferirem o sossego, os sluagh aventureiros visitam as cortes da superfície, cultivam amizades e se submetem a penhores com estranhos. Eles farão de tudo para ajudar ou proteger um estranho que lhes tenha demonstrado respeito e amizade. Essas boas ações costumam ser mal interpretadas por changelings desconfiados e, portanto, esses relacionamentos geralmente são breves. Mesmo assim, até os sluagh que encontram uma roda de confiança precisam de um esconderijo para onde possam fugir.

O subpovo recolhe informações (segredos, melhor dizendo) e negocia o que sabe com as partes interessadas. A revelação é uma alegria; quanto mais perturbadora a revelação, maior a alegria. Os Seelie empregam seu conhecimento para fins mais nobres, mas os Unseelie são capazes de viver desonestamente de chantagem. Contudo, os segredos não são a única mercadoria. Brinquedos quebrados, estranhos badulaques e qualquer coisa que recenda a nostalgia tornam-se excelentes artigos de troca. As outras pessoas ficam até aturdidas com o valor que os sluagh dão a esses objetos, mas, até ai, a perversão é a marca registrada do kith.

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Embora se diga que todos os sluagh são Unseelie, eles raramente se aliam a qualquer uma das Cortes e preferem viver sozinhos. Entre eles mesmos, são generosos e extremamente formais. Eles têm grande respeito uns pelos outros e unem-se contra estranhos quando necessário. Envoltos em mistério, os sluagh guardam os segredos de seu kith acima de tudo, pois cultivam sua imagem. Nas trevas eles prosperam.

Aparência: Os sluagh são pálidos e grotescos, apesar de estranhamente fascinantes. Uma certa deformidade inescrutável parece aderir a eles como lepra. Eles não têm dentes e seus olhos são pequenos, cansados e misteriosos. Eles apresentam um vago odor de decadência, um cheiro que se torna mais pungente com a idade. Os sluagh preferem roupas arcaicas, geralmente pretas e sempre intrincadas.

Estilo de Vida: Os sluagh mais civilizados frequentam mansões empoeiradas, antiquários ou bibliotecas bolorentas. Os mais decrépitos procuram o submundo e se escondem em esgotos, porões e lugares esquecidos nos subterrâneos das metrópoles. Eles são tímidos, porém territoriais, e exigem o cumprimento de vastas regras de etiqueta e protocolo que as outras fadas não entendem inteiramente. Eremitas e reclusos por natureza, eles não gostam de ser perturbados sem uma boa razão. Eles sempre mantêm refúgios particulares, mesmo quando fazem parte de mixórdias.

  • Os infantes são crianças de rua que se importam muito pouco com a aparência. As roupas são sempre rasgadas, os cabelos desgrenhados, e seu sofrimento desperta grande simpatia. Eles se deliciam com tudo o que repugna as crianças humanas, além de demonstrar uma grande afinidade por esconderijos.
  • Os estouvados são os guardiões dos locais inexplorados do mundo. À medida que envelhecem, a pele vai ficando ainda mais pálida e os cabelos ganham a cor do azeviche. Eles têm olhos escuros e encovados, membros e dedos alongados.
  • Os rezingões envelhecem a uma velocidade alarmante. A pele pende dos ossos como se fosse grande demais para eles, os cabelos logo ganham escandalosas mechas grisalhas e seus corpos se deformam e arqueiam. Estranhamente, eles parecem gostar disso. Os sluagh apreciam várias formas de decadência e essa é só mais uma delas.

Afinidade: Acessório

Direitos Inatos

  • Contorção: Deslocar partes do corpo é uma diversão popular entre essas criaturas dessecadas. Prendê-las é quase impossível. Apesar de não ser capaz de mudar de forma nem massa, o subpovo consegue se contorcer e assumir formas perturbadoras com uma facilidade anormal. Isso exige alguns minutos e um teste de Destreza + Esportes; a dificuldade varia de 6 (livrar-se de cordas) a 10 (passar por entre as barras de uma cela trancada). Naturalmente, a única substância capaz de aprisioná-los é o ferro frio.

Os sluagh não podem usar esse Direito Inato na presença de mortais ou desencantados.

  • Sentidos Aguçados: A criação incomum dessas fadas aguça seus sentidos. Subtraia dois pontos da dificuldade de qualquer teste de Percepção realizado por um sluagh (até o mínimo de 3). Eles podem detectar ilusões mágicas passando num teste de Percepção + Prontidão (dificuldade 7).

Esse Direito Inato sempre funciona normalmente.

É impossível um sluagh sofrer falhas críticas nos testes de Furtividade e Prontidão.

Fraquezas

  • A Maldição do Silêncio: Os sluagh só conseguem sussurrar, não importa o quanto se esforcem para serem ouvidos. Como eles não gostam de situações sociais e seguem regras de etiqueta muito estranhas, acrescente dois pontos às dificuldades de todos os testes Sociais.

Apesar de, aos ouvidos dos mortais, o sluagh não parecer murmurar, o indivíduo em questão geralmente fala bem de mansinho.


* Valhacouto, no original “cracks”, seria um esconderijo secreto fora de qualquer alcance humano, como se esconder nas rachaduras do mundo.

Imagem: fonte desconhecida
Fonte:
Changeling: O Sonhar páginas. 102 e 103

Sobre Eva

Escritora, tradutora e revisora, bruxa feminista, maga da Dragão Brasil, Oráculo do Livro dos Espelhos e editora da Aster Editora.

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