Drive Thru RPG

Silêncio, Arcanum e o Delírio Causado por Lobisomens

10/02/2012

Magos elaboram muitas teorias sobre praticamente qualquer coisa. O Delírio, causado pelos Garou nos Adormecidos (magos realmente não sofrem nada de Delírio), o efeito do Arcanum e o Silêncio (ou Crepúsculo, como é chamado pelos Herméticos) não poderiam ficar de fora dentro do jogo.

A seguir, a tradução de mais um dos bons textos publicados no antigo site do Anders Sandberg que, infelizmente, está fora do ar.

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Algumas Teorias sobre o Arcanum, a Zona do Crepúsculo e o Delírio

Transcrição da curta palestra dada pelo Frater IAM Magister Templii da Ordo Rosae Crucis. Realizada na reunião do Equinócio Vernal da Ordo Hermeticorum.

Fratres et sorores, o Arcanum pode ser visto como uma espécie de negação do mago em si pela própria realidade. O mago representa algo que a realidade estática não pode, de forma consistente, acomodar em seu âmbito. A maneira mais fácil de evitar tal confronto é simplesmente ignorar o mago tanto quanto possível, fazendo com que Adormecidos ignorem-no. O magus é participante ativo de tal processo, uma vez que a maioria dos magi subconscientemente ignoram a realidade estática que, por sua vez, tornará a negá-los com mais veemência. Este processo irá, lentamente, enfraquecer a ligação com a realidade, até que o mago se torne muito mais difícil de detectar por Adormecidos e muito mais “seguro” para as forças mundanas.

Por outro lado, agora o mago fica de fora do escopo “seguro” da realidade estática. Ele pode ficar completamente preso nas por trás das cenas junto com tudo aquilo que a realidade nega. Isto é, onviamente, muito útil às vezes, mas tende a isolar o mago completamente. Quanto mais o mago se torna parte desta nova realidade, mais difícil tornar-se-á interagir com a realidade mundana. No longo processo, o mago se torna incapaz de influenciar a realidade estática como um todo, exceto por meio de suas Artes, vivendo uma quase-vida entre as entidades marginais do mundo.

Alguns de vocês podem opor-se a tal visão, apontando o fato de que podemos controlar nosso arcanum. Pode parecer que nós o fazemos, mas na verdade, a maioria dos magos são vítimas dele e tendem a justificar a própria falta de controle. Através da vontade, podemos suspender nosso arcanum, temporariamente forçando a realidade a aceitar a realidade estática. Mas este estado é apenas temporário e o subconsciente, em breve, recairá em seu estado normal, reforçando nosso arcanum. Observei que muitos magos se tornam ainda mais entrincheirados no próprio isolamento depois de tentar suspender seu arcanum por longos períodos.

Nesta Zona Crepuscular, existem muitas entidades perigosas, inconsistências e planícies esquisitas que a realidade dita normal nega. Um mago que Desperta da realidade estática atrairá estas coisas como um ímã, o que transforma a vida cotidiana de um mago numa novela surrealista, como muito de vocês conhecem por experiência pessoal. Muitos magos vivem parcialmente por trás das cenas todo o tempo, ocasionalmente encontrando as coisas que existem atrás da realidade mundana, principalmente por acidente. Quando um mago sofre distorções da realidade por paradoxo, ele é empurrado mais e mais para este mundo. Os duendes são habitantes típicos daqui, bem como todas as pequenas coinciências e simultaneidades que aparecem o tempo todo na presença do mago. Aqui, o mago deve tomar muito cuidado, para evitar que seu já frágil vínculo com a realidade se parta ao aceitar cegamente esta semi-realidade. Por outro lado, ignorar poderia ser um erro ainda maior, como muitos outros perigos do extremismo que espreitam.

A realidade não apenas nega os magos, esquisitices e outras irritações óbvias. Conforme o aperto dos tecnomantes sobre a realidade se estreita, mais e mais coisas começam a começam a ser empurradas para fora da borda quando não se encaixam. Já dentro das bordas, algumas pessoas, principalmente idosos, doentes e pobres, são tão ignorados que desaparecem nos bastidores do mundo. Isto acontece com uma frequencia crescente, conforme as pessoas normais dão o seu melhor para ignorar coisas que não se encaixam. Chegamos a um ponto em que alguns erros na realidade tecnomanticamente definida vai começar a se tornar invisível para os Adormecidos.

Esta pode ser a explicação para o Delírio causado pelos Garou. A realidade começou a negar suas existências e os Adormecidos não podem mais vê-los. Se este processo continuar, os Garou serão mais e mais empurrados para o mundo dos sonhos, perdendo completamente sua capacidade de interagir com a realidade estática. O desaparecimento dos Fae tem a mesma causa. A partir do momento em que seu estado natural tende a negar a realidade estática e devido à sua natureza mercurial, logo foram forçados para a Zona do Crepúsculo. O mesmo fato é verdadeiro para os vampiros. Sua Máscara pode ser uma conveniente e coincidente explicação para o fato de que eles também são empurrados para fora, embora menos violentamente que do que os Garou (talvez isto tenha a ver com o fato de que os Garou opõem-se à transição, enquanto que os vampiros a acolhem, como convém a seus propósitos).

O que pode ser feito a respeito desta situação? Exceto por óbvias estratégias de manipulação da realidade, existem duas possibilidades. Uma delas é aceitá-la e fazer o melhor dentro do possível a tal respeito. Este é o caminho mais fácil, o método que muitos do Continuum já, conscientemente ou não, escolheram. Outra estratégia é tentar encontrar maneiras de fazer o nosso próprio subconsciente aceitar não só a nossa realidade, mas também outras realidades, como a realidade estática. Isto pode ser muito difícil, mas acredito que seja um dos passos essenciais na Busca. Temos que encontrar o delicado equilíbrio entre a realidade estática e a dinâmica. Se não fizermos isto, nos tornaremos habitantes da Zona do Crepúsculo.

In nomine Tetragrammaton: Ateh. Malkuth. Ve Geburah. Ve Gedulah. Le Olam Amen.

Some theories about Arcane, the Twilight Zone and the Delirium
Fonte: Anders Mage Page
Autor: Anders Sandberg
Tradução: Eva

Sobre Eva

Tradutora, revisora, escritora e sonhadora. Anarcafeminista em constante estado de amor e horror com o mundo. Editora no Livro dos Espelhos.

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