Drive Thru RPG

RPG e o Limite Saudável

23/10/2012

RPG é só um jogo.

Por quê eu digo isso? Porque há um mundo lá fora. Um mundo onde a Pentex não ameaça o mundo, vampiros não existem, você não é um lobisomem e definitivamente, a Tecnocracia não está espionando suas mensagens no computador. Os personagens não são reais, e apesar daquele seu livro preferido ser tão profundamente bem escrito, não, os autores não colocaram rituais milenares e traíram a confiança de vampiros antigos para trazer à tona seus segredos.

Eu refleti bastante antes de pensar em escrever esse artigo, mas ele vem se provando necessário. Apesar do RPG ser um jogo incrível, que abre portas que nunca imaginamos poder alcançar antes e expandir nossos horizontes, ele continua sendo um jogo. Um hobby que demanda tempo, e um certo comprometimento, se você estiver jogando em grupo, mas continua sendo apenas um hobby. E quando o RPG se torna seu trabalho, ele é isso: um trabalho recompensador e gostoso, mas ainda assim… ele é só um trabalho.

Viver o RPG não é um processo saudável, e muito menos aconselhado. Viver num mundo de fantasia 24 horas por dia não é só perigoso, é sinal de necessidade de ajuda, muitas vezes. Depressão, problemas de auto-estima ou de auto-aceitação podem levar a esse caminho perigoso. Caso note que o RPG vem tomando todo o seu tempo, ou se tornando o único assunto ou interesse, ou ainda suspeitando que os personagens e tramas do jogo são reais, se afaste e reflita a respeito por um minuto. Em último caso, procure por ajuda especializada: Um psiquiatra, psicólogo, terapeuta ou alguém de sua confiança.

O RPG pode nos ajudar a superar muitos obstáculos, mas ele não é um substituto para o mundo real, e tampouco um método para fechar os olhos e ignorar tudo aquilo que nos cerca. Ao acabar o jogo, continuamos sendo nós mesmos, com nossos defeitos, com nossas inseguranças, com nossos problemas diários e o tédio. Mas também significa ter inúmeras possibilidades que não estão contidas em regras, em não ser uma marionete na mão de alguém. O poder para sermos o que quisermos é nosso, e as escolhas, apenas nossas.

Não viva o jogo. Jogue o jogo. Não deixe que o jogo limite seu mundo, ou se imagine ser um ser superior por jogá-lo. Se apaixone por ele, mas não deixe que o jogo limite suas escolhas, seus amigos, seus interesses e sobretudo, lembre-se de que ele é apenas ficção. Saia lá fora, aproveite o sol, jogue bola, desenhe, dance, procure coisas que te agradem, converse com seus amigos não-RPGistas.

Como tudo o mais, aprecie o RPG com moderação. ;)

Autora: Emi

Sobre Colaboração

Artigos publicados por leitores ou ex-autores do blog, que gentilmente colaboraram conosco ao longo dos anos. Artigos de opinião não necessariamente expressam a opinião das autoras do blog; traduções e resenhas têm suas informações checadas.

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