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Os Vampiros no Cinema – Parte 1

13/08/2013

Como podemos tratar dos mitos do vampiro sem falar de filmes cujo tema são os vampiros? Ainda que não dê para diminuir a importância da literatura (e ainda pretendo falar um pouco do vampiro na literatura), acredito que os filmes de horror foram os primeiros contatos que nós tivemos com essas criaturas na arte. Pelo menos, foi o que aconteceu comigo, já que minha mãe é apaixonada por filmes de terror.

Os vampiros são seres mitológicos/folclóricos que, em todas as suas lendas, sobrevivem se alimentando da essência vital de outros seres – contos de seres que se alimentam da carne ou do sangue dos seres vivos são encontrados em quase todas as culturas humanas. Os persas falavam de demônios que se alimentavam de sangue humano. A Babilônia e a Assíria tinham sua mítica Lilitu, que deu origem à Lilith (לילית) hebraica e sua crias, que muitas vezes subsistiam se alimentando do sangue de bebês. Os gregos tinham suas Empusae, Lamia e os Striges. Os russos possuem registros de Upir’ (УПИРЬ) datados de 1047 DC. A velha palavra russa foi usada em tratados anti-pagãos dos séculos XI ao XIII, relatando a adoração dos pagãos por Upires.

Por isso decidi fazer uma lista (ou listas) o mais completa possível com os filmes de vampiro já feitos. Dependendo da resposta dos fãs de filmes de vampiro, eu continuo a lista. Neste primeiro artigo, trago os filmes feitos até o final da década de 1920. Caso falte algum filme na lista, vocês são mega bem-vindos a me ajudar a completar. E se vocês curtirem, eu continuo fazendo o levantamento.

1915-1916

IrmaVepLesVampires3Les Vampires – França

399 minutos – Preto e branco
Diretor: Louis Feuillade
Produção: Gaumont
Elenco: Édouard Mathé, Musidora, Marcel Lévesque
Língua: mudo

Paris está nas garras de um terror invisível, sem nome, e contra o qual a polícia se encontra impotente – uma organização criminosa Apache (grupo de subcultura francesa  no submundo da Belle Époque) criam medo e caos através do assassinato, pilhagem e sequestro. Nenhum crime é ousado ou hediondo demais para eles. Pouco se sabe sobre a gangue dos vilões, exceto que seu líder é conhecido como Grande Vampiro e seu braço direito é Irma Vep. Philippe Guérande, um jornalista, começa a investigar o assassinato de um funcionário do governo e logo se depara com os vampiros. Começa, então, sua longa cruzada para livrar Paris do mal que estes demônios causam.

O filme foi dividido em 10 partes lançadas ao longo dos anos 1915 e 1916.

Suas técnicas teriam influenciado as técnicas thriller, adotadas posteriormente por Hitchcok e Fritz Lang, e seu cinema avant-garde teria inspirado nomes como Luis Bruñel.

1921

Drakula_halála-1Drakula halála – Austria

Diretor: Károly Lajthay
Elenco: Paul Askonas, Carl Goetz, Károly Hatvani
Língua: mudo

Uma garota têm visões assustadoras depois de visitar um hospício, onde um dos presos afirma ser Drácula, e ela não tem certeza se seus pesadelos são apenas sonhos ou se são reais.

Pouco se sabe sobre o Drakula halála (A Morte do Drácula), um filme húngaro de horror de 1921. Considerado um filme perdido, foi escrito e dirigido por Károly Lajthay. É um filme notável por ter sido a primeira aparição do Conde Drácula nos cinemas, apesar das pesquisas sobre este filme perdido indicarem que ele não seguia a narrativa do livro do Bram Stoker. Seu lançamento ocorreu em Viena, em 1921, e foi um sucesso por toda a Europa. Foi reeditado e relançado em Budapeste em 1923.

1922

NosferatuShadowNosferatu, eine Symphonie des Grauens – República de Weimar

94 minutos – preto e branco
Diretor: F. W. Murnau
Produção: Enrico Dieckmann e Albin Grau
Elenco: Max Schreck, Gustav Von Wangenheim, Greta Schrôder, Alexander Granach, Ruth Landshoff, Wolfgang Heinz
Língua: mudo (entretelas disponíveis em alemão e inglês)

Em Nosferatu – Uma Sinfonia de Horror Thomas Hutter, morador da cidade alemã fictícia de Wisborg, é enviado por seu patrão, Knock, para a Transilvânia, onde deve visitar um novo cliente chamado Conde Orlok. Hutter confia sua amada esposa a seu melhor amigo Harding e sua irmã Annie antes de embarcar. Antes de chegar nos Montes Cárpatos, ao parar no caminho para jantar, os moradores locais ficam assustados com a mera menção ao nome de Orlok e desencorajam Hutter a viajar até o castelo durante a noite, advertindo-o sobre os lobisomens. Na manhã seguinte, Hutter segue para a passagem mais alta da montanha, mas o cocheiro se recusa a seguir caminho por estar anoitecendo. Então um cocheiro envolto em negro aparece para guiá-lo. Hutter é bem recebido no castelo de Conde Orlok – e é ai que seus problemas realmente começam.

Clássico filme de horror do expressionismo alemão, trata-se de uma adaptação não autorizada do Drácula de Bram Stocker, o que rendeu processos e a ordenação da destruição de todas as cópias do filme. Para a sorte das gerações futuras, uma cópia sobreviveu.

* * *

O próximo filme de vampiro viria a aparecer apenas em 1931, o que é assunto para um artigo futuro.

Próximo Artigo: Os Vampiros no Cinema – Parte 2

Sobre Eva

Escritora, tradutora e revisora, bruxa feminista, maga da Dragão Brasil, Oráculo do Livro dos Espelhos e editora da Aster Editora.

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