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Os Nefandi: Guerra no Inferno – Mago: A Ascensão

08/11/2012

Eu imploro pra te servir, seu desejo é minha lei
Agora feche os olhos e me deixe amar você até a morte
Eu devo provar que eu quero dizer o que estou dizendo, implorando…
Ei, eu sou bom o suficiente pra você?

Love You to Death – Type O Negative

Aviso: Este artigo é recomendado para maiores de 18 anos e pessoas maduras. Se você é sensível a temas Black Dog, não entende que RPG é fantasia e que o Clássico Mundo das Trevas é para mentes maduras, não continue lendo o texto – talvez não seja apropriado para você. Nefandi não são caras legais, não são herois. Se você leva mesmo a sério alguma coisa escrita neste artigo, favor procurar um psiquiatra.

 

Engano. Decadência. Discórdia. Quando apenas a distorção não basta, estas almas invertidas de modo irreparável buscam a Obliteração da Tellurian, a própria Descensão. São os Despertos que Caíram a Queda final, se atiraram ao Abismo sem retorno. Chamá-los de Infernalistas seria simplificar a questão ao ponto do ridículo, e mesmo a palavra usada pelos outros magos – barabbi – não reflete toda a verdade desta superfície sem brilho. Eles são aqueles que, quando o abismo olhou de volta, incorporaram o Abismo em si. Mas de onde surgiram?

Melhor Reinar no Inferno

Neste artigo, trago o começo do mito de criação blasfemo dos Nefandi. Possivelmente, um dos muitos mitos que os Nefandi modernos possam vir a incorporar. Este é um mito Renascentista, principalmente para Mago: A Cruzada dos Feiticeiros e incorpora visões blasfemas de mitos de criação de vários povos, culturas, religiões e mesmo de diversas criaturas do Clássico Mundo das Trevas.

Todas as religiões possuem seus mitos, histórias sobre o Início e do Fim do mundo como conhecemos. Os caminhos do Inferno são todos heréticos, uma vez que acreditam que qualquer ortodoxia é uma mentira, então eles podem acreditar no mito a seguir ou não, tanto faz – tudo é uma grande mentira, e mesmo o barabbi que alegue ter descoberto os segredos do Todo, ainda assim, não será aceito por todos os Nefandi.

Trago, também, um resumo muito superficial de suas origens, que ajudará (como todos os resumos mais superficiais do Livro dos Espelhos) tanto a nos guiar futuramente na criação de novos artigos quanto para facilitar a vida de quem está navegando aqui pelo blog em busca de uma informação em particular (embora vocês possam usar o mapa do blog ou mesmo a caixa de pesquisa que tem ali em cima). Em breve, pretendemos continuar traduzindo este mito de criação blasfemo e trazendo novas informações que aprofundem os Nefandi e sua história, chegando até nossos dias, possivelmente alternando com outros artigos sobre os Nefandi e mesmo com outros de Mago, para o bem do nosso estômago.

No final deste artigo, você vai encontrar o menu do que já publicamos sobre eles, e conforme novos conteúdos forem surgindo, arrumaremos os links para que vocês possam sempre utilizar este artigo como um guia para os Caminhos dos Decaídos.

Boa sorte.

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Guerra no Inferno

No começo, existiam Trevas. Vácuo. Esquecimento.

Possibilidade.

As Trevas pariram emanações. Algumas tomaram formas e se tornaram sencientes, enquanto  outros algaraviaram na bem-aventurada escuridão. Eventualmente, alguns se rebelaram. “Haja Luz”, eles disseram, e assim foi.

Assim, a guerra começou.

O Absoluto sorriu quando Se partiu em três vezes 10.000 partes, pois Ele desejava conhecer a Si mesmo. Mas as emanações não perceberam, e travaram uma guerra entre si.

Relâmpago dividiu o Vácuo em planos e essências. As 10 mil bocas das Trevas rugiram e vomitaram diante do Esquecimento. As 10 mil bocas da Luz também rugiram, e cuspiram fogo que queima todas as possibilidades. As 10 mil bocas da Sombra se recusaram a rugir, e esperaram calmamente no Vácuo.

Com medo, as emanações correram entre o Fogo e o Esquecimento, cortejando as duas essências sem aderir a nenhuma. Alguns se precipitaram para as Trevas e gargalharam de alegria quando foram esfolados por seus espíritos. Outros dançavam em chamas eternas, tão profundamente envolvidos no êxtase das chamas que esqueceram suas origens no Vácuo. “Vamos purificar isto!”, eles gritaram, e se uniram em uma única explosão de fogo que queimou o verdadeiro coração da Possibilidade Infinita. “Eu sou!”, eles rugiram, e o Absoluto foi dilacerado.

Daquele momento em diante, todas as coisas seriam divididas entre dia e noite. Bondade e crueldade. Ordem e Caos. O Vácuo se tornou Muitos, e os Muitos foram para a guerra.

E o Absoluto olhou para o caos e viu que era bom.

O que é um Nefandi?

Sendo simplista, um Nefandi é um mago Caído. A Queda Final. Ponto. Enquanto o Conselho representa a Essência Investigadora, a Tecnocracia representa a Essência Padrão e os Desauridos a Essência Dinâmica, os Nefandi representam, cosmologicamente, a Essência Primordial. Eles querem levar a própria Tellurian ao Esquecimento, à Obliteração, ao Nada que existia no começo de tudo, como servos da força cosmológica da Entropia que são. São a própria antítese de tudo o que todos os outros magos tentam alcançar. Apesar de aparentemente esta missão para com a destruição absoluta ser algo que os une, seus interesses são variados e, muitas vezes, os jogam uns contra os outros por muitos motivos diferentes. O que os torna diferentes dos outros magos é que, de fato, um Nefandi escolheu virar as costas para a Ascensão, construindo seu próprio caminho – e escolhas são tudo para os Despertos.

São uma das facções mais antigas de magos ainda em atividade (se não puderem ser considerada a mais antiga, uma vez que o mal sempre existiu). Mesmo em tempos antigos do Clássico Mundo das Trevas, existiram vários cultos de adoração de demônios, sacrifícios humanos e outras práticas indescritíveis.

Os precursores foram os magos da cidade suméria de Bhât, que tinham apagado de seus registros históricos as informações sobre as coisas abomináveis que passeavam entre suas paredes. Estes magos corrompidos eram chamados de Nif ur ‘em Daah, Devoradores dos Fracos – palavra que sobreviveu por um processo de apropriação entre línguas e derivação e está na raiz etimológica da palavra moderna Nefandi.

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Na Mesopotâmia, estudos astrológicos levaram magos e sacerdotes a aprender os segredos de entidades não identificadas que vivem no Vácuo da Umbra Profunda. Em 1500 a.C., sacerdotes babilônicos conseguiram abrir uma passagem para os reinos além do Horizonte, para convidar demônios e outras coisas ainda mais perturbadoras para que tivessem livre acesso em suas cidades. Eles fizeram isso esperando derrubar os sacerdotes de Marduk e extrair a energia de Anunnaku, que eram os deuses primordiais que existiam antes da criação.

Na Ásia, sacerdotes e magos das cortes imperiais fecharam acordos com Reis Yama – poderosos demônios da morte, do sofrimento e da destruição, e não demorou muito para que, por exemplo, a Dinastia chinesa Shang adotasse práticas cruéis de sacrifícios humanos em seus cultos da morte.

Na Europa e em outras terras, cultos primitivos buscavam o poder através de poderosos demônios Malfeanos. A tribo selvagem dos pictos e seus irmãos lobisomens abraçaram a Espiral Negra, rendendo-se à loucura.

A grande questão é que não importa onde – onde há civilização e seus sistemas de crenças, os precursores dos Nefandi assumiram o papel de hereges, de antagonistas. Muitos se renderam a seus encantos, uma vez que a sedução do poder, de se tornar poderoso e submeter e reinar sobre os mais fracos é um doce veneno na língua de Satã.

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Facções

Além de se dividirem por facções, existem ainda dois tipos de Nefandi, dependendo da sua origem:

Além disso, sejam os barabbi ou os widderslainte, eles se dividem em três grandes grupos, dependendo de seus métodos e filosofias. É importante notar que, mesmo dentro das facções principais, existem caóticas e múltiplas subdivisões, talvez um reflexo do próprio Caos da Descensão que tanto procuram.

Artigos

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Fonte: Infernalism: The Path of Screams, Book of Madness e Book of Madness Revised
Autora/resenhista: Eva

Sobre Eva

Tradutora, revisora, escritora e sonhadora. Anarcafeminista em constante estado de amor e horror com o mundo. Editora no Livro dos Espelhos.

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