Drive Thru RPG

Os Nefandi: A Ruína dos Deuses – Parte 1

14/11/2012

Não está morto o que pode eternamente jazer,
E, com éons estranhos, até mesmo a morte pode morrer

O Chamado de Cthulhu – H.P. Lovecraft

Aviso: Este artigo é recomendado para maiores de 18 anos e pessoas maduras. Se você é sensível a temas Black Dog, não entende que RPG é fantasia e que o Clássico Mundo das Trevas é para mentes maduras, não continue lendo o texto – talvez não seja apropriado para você. Nefandis não são caras legais, não são herois. Se você leva mesmo a sério alguma coisa escrita neste artigo, favor procurar um psiquiatra.

 

No artigo de hoje, optei por voltar aos Nefandi. A maior motivação foi, de fato, a forma como eles são um tanto… incompreendidos. Eles estão em uma das maiores discussões em todo o cenário de Mago: A Ascensão: um Nefandi pode se regenerar?

Se você for seguir as regras ao pé da letra, a resposta é não. Ok, eu conheço a Amanda e sua história. Mas levem em consideração, só por um instante, de que ela não era de fato uma Nefandi. Ela era uma widderslainte. Enquanto seu Avatar era o de um Caído, ela em si, nesta encarnação, nunca havia feito nada de errado. Num jogo onde a Escolha guia o Caminho do Desperto, isso significa muita coisa. Ela possivelmente tinha sérios conflitos com o próprio Avatar (o que, nas regras, dá para a pobre personagem oficial, sempre, uma penalidade de +1 para realizar mágikas), mas ainda assim, quando ela descobriu o que ela era, ela escolheu não se render às escolhas que havia feito em outra vida – escolha é a palavra chave. Ela jamais escolheu seguir impulsos destrutivos, reescrevendo seu próprio Caminho. Se mesmo na vida real nossas escolhas são poderosas, que dirá num jogo de RPG baseado na Vontade.

“Mas Eva, na minha mesa, o personagem do Pedrinho entrou feliz e contente – e por conta própria – na Coifa e depois nós decidimos que ele passaria pela redenção. Nós estamos jogando errado?”

Compre o Book of Madness

A resposta novamente é não. O jogo é seu. O que serve para a sua mesa, o que diverte o seu grupo, é escolha exclusiva do seu grupo. Não existe certo e errado aqui – é tudo uma questão, novamente, de escolha. O importante é a história que se conta, e não necessariamente o que dizem os livros, ou o que diz alguém em um blog. Faça o que desejar, se mal nenhum causar ;-)

A seguir, continuo com mais um trecho do mito blasfemo Renascentista de alguns Nefandi. Depois, continuo contando um resumo da história deles – isso nos ajuda a compreender (mas dificilmente aceitar) de onde eles vieram e qual a moral em todo aquele papo de Descensão. Isto certamente os torna inimigos mais profundos, e como tal, mais perigosos enquanto antagonistas.

Caso vocês tenham dúvidas, sugestões ou mesmo opiniões diferentes, nossos comentários estão abertos. Caso tenha um artigo novo, apresentando um outro ponto de vista e queira vê-lo publicado aqui no Livro dos Espelhos, dá uma olhadinha aqui ^-~

* * *

Os Mundos Começam

Na escuridão primordial, as emanações se contorciam. Algumas esmaeciam em meras sombras de sua antiga glória. Outras se partiam, girando mundos que passavam a ser. Após esses mundos, as matizes de novos deuses nascidos gritavam nos céus em ebulição. Bem acima dos mundos infantes, eles batalharam. Aqueles que venceram estabeleceram domínios nas terras abaixo, contorcendo o potencial bruto em forma e função. Os perdedores escureciam os céus ou alimentavam fornalhas no chão.

Compre o Infernalism: The Path of Screams

Montanhas subiram e caíram em instantes. Lagos de fogo queimaram os céus. Tufões vasculharam as cinzas e as enchentes subiam para lavar tudo. Os elementos tomaram forma, amarrando a imortalidade no lugar e tornando todas as coisas perecíveis.

Mundos rolaram dentro e fora da substância. Alguns duraram éons (na contagem de tempo humana), enquanto outros morreram dentro de dias ou mesmo de horas. Alguns mundos nunca conheceram o toque da Luz; nestes enegrecidos esferas e planos, o fogo não manchou a profundeza primordial. Outros mundos foram consumidos pelas chamas, e arderam eternamente para os prazeres de seus patronos. Mesmo agora, aqueles sóis flagelados giram no firmamento, iluminando outros reinos com sua vigilância incandescente.

Mas mesmo em suas maiores vitórias, o Fogo não podia prevalecer sempre. Com o passar da luz do dia, o caos voltou e as marés altas subiram. Os reinos de fogo queimaram negros no tempo, e o Vácuo aguardava seu retorno. Sempre houve conflitos entre as Trevas e a Luz. A era do potencial bruto tinha passado, mas o Vácuo sempre esteve lá, antecipando a queda da noite e o retorno do silêncio.

E dentro do Vazio, dançava o Absoluto, resplandecente em Sua alegria.

A Ruína dos Deuses – Parte 1

Logo os deuses deram à luz às bestas e as raças ancestrais – espelhos vivos de suas vaidades. Estes novos seres erraram como colossos através de reinos estéreis, subiram pesadamente nas tempestades ou correram em pernas minúsculas nas sombras dos gigantes. Aqueles que puderam ergueram estranhos templos aos seus senhores ou labirintos de pedras escavadas. Nos anos posteriores, os homens chamariam tais raças de Nephilim, Vhujubnka, Ter-hachinn, Ka Luon e muitos outros nomes. Mas nestes Primeiros Dias, apenas os deuses podiam nomeá-los, e tais segredos são apenas para os ouvidos dos deuses.

A violação do Vácuo fez nascer maravilhas sem fim. Os 10.000 Fogos gritaram suas Palavras de Criação nos ouvidos de barro, e o barro começou a andar; os 10.000 Esquecimentos sussurraram suas próprias Palavras nos mares, e os abismos borbulhavam. Ambos se partiram em microcosmos, dando à luz anjos e demônios sem número, e construindo cortes etéreas onde sua influência era questionável.

Mas isto não serviria.

E assim, as 10.000 Sombras falaram claramente a todos os elementos. Um quarto caminhava sobre a Terra e soprou Palavras de Modelamento; um quarto foi para o Fogo e murmurou Palavras de Paixão; um quarto mergulhou na Água e murmurou as Palavras de Mistério; um quarto voou no Ar e gritou Palavras de Indagação.

Assim, o Homem nasceu, composto de todos os elementos; todos os mistérios; todas as texturas da Luz, Trevas e Sombras; e todos os segredos da Criação. Um rebelde nasceu, ele iria desafiar as feras, os deuses, os elementos, os testamentos. Conforme a crença do Homem, deuses ascendiam; conforme a vontade do Homem, então os céus caíam.

E foi bom.

* * *

Compre o Book of Madness Revised

A Primeira Purgação

Os horrores dos reis-sacerdotes que sacrificavam seus súditos em honra a demônios inomináveis e de hordas possuídas por espíritos malignos que saqueavam cidades inteiras não passaram batidos. Em todo o mundo, a crença na existência de algo superior rompeu o medo que apertava estas civilizações em suas garras, e magos, místicos, xamãs, padres, artesãos, sábios e camponeses se uniram para derrotar os primeiros corruptores.

Na Mesopotâmia, cidades inteiras foram arrasadas e seus nomes esquecidos para todo o sempre. A Dinastia Shang caiu e novas ideias, muitas propagadas por Lao Tzu, começaram a florescer. Na Pérsia, os Taftâni lacraram os djinn em garrafas, potes e lâmpadas, e os Ahl-i-Batin caçaram e detiveram os magos corruptos onde quer que os encontrassem.

O Egito Antigo foi unificado sob um panteão divino que colocou os deuses da sabedoria, do artesanato e da esperança de vida após a morte no coração das pessoas, e os bárbaros possuídos foram vencidos pelos exércitos romanos. Assim, os magos corruptos viram que não poderiam vencer através do confronto aberto. Além disso, muitos que tinham feitos pactos tiveram suas almas arrebatadas pelos demônios a quem serviam. Assim, o mal que pareceu por muito tempo corromper sociedades antigas foi subjugado.

Ao menos por um tempo.

Arte, religião, ciências, filosofia, desenvolveram as bases de grandes civilizações que cresciam em influência e se espalhavam rapidamente.

Mas a semente do mal estava lá, no coração de cada sociedade.

Curtiu o artigo de hoje? Então aproveita e dá um curtir na nossa página no Facebook /o/

Fonte: Infernalism: The Path of Screams, Book of Madness e Book of Madness Revised
Autora/tradutora/resenhista: Eva

Sobre Eva

Escritora, tradutora e revisora, bruxa feminista, maga da Dragão Brasil, Oráculo do Livro dos Espelhos e editora da Aster Editora.

Ver mais artigos de