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Mummy: the Curse – Afinidade Mágica, Alma Quíntupla e Decreto

03/08/2012

Fomos forçados a passar um tempo sem publicar e, ainda assim, as novidades do novo Mummy: the Curse para o Novo Mundo das Trevas não pararam. No post de hoje eu reúno três dos posts novos, traduzidos para o português.

No post anterior sobre Mágica e Esconjuro, tivemos a participação pessoal do autor do jogo nos comentários do Livro dos Espelhos. O Suleiman postou um complemento sobre onde estão os surgidos, dando atenção para o cenário brasileiro e sulamericano do jogo:

Bônus

Fora do Oriente Médio, talvez a maior concentração de atividade múmia no Mundo das Trevas é encontrado na América do Sul, e particularmente no Brasil. Ao longo da história, os Imortais têm sido atraídos a o antigo poder da Amazônia, a sua floresta, e para as muitas tribos que têm chamado ela de casa.

Com os Europeus veio o desenvolvimento industrializado, e com a expansão urbana veio mais múmias ainda com o desejo de estabelecer novos túmulos no meio do mar de Sekhem. No Rio de Janeiro moderno, o nexo de ocultismo brasileiro, moradores das favelas passaram a conhecer e temer o que chamam O Pardal Vermelho, embora poucos deles têm qualquer ideia de que é um dos Surgido a quem se referem, quando eles sussurram seu nome.

Mágica: A Afinidade

Oi galera. No post anterior, nós introduzimos o conceito de Esconjuro – a mágica mais poderosa sob o comando de uma múmia. Agora vamos dar uma olhada em um tipo mais comum, um poder de uso diário dos Surgidos chamado a Afinidade.

A Sekhem radiante dentro da múmia os unge com uma sorte improvável e uma competência sobrenatural. Isto não é um acaso. Os Surgidos acreditam que a capacidade de manifestar essas afinidades foram construídas diretamente no Rito do Retorno, capacitando-os com as ferramentas necessárias para cumprir sua finalidade. Diferente da maioria das formas de poder sobrenatural, as Afinidades não requerem treinamento ou um professor e não são aprendidas do modo convencional. Em vez disso, elas se manifestam reflexivamente (ou seja, são adicionados a uma ficha de personagem no momento da compra), seja durante a criação da personagem ou através do pagamento de pontos de experiência. Acontece muitas vezes de o Surgido não saber que tem uma nova Afinidade até que a mágica primeiro crie um efeito ou possa fazê-lo, momento em que eles intuem suas novas capacidades. Muitas múmias são tão surpreendidas pela manifestação de uma Afinidade quanto o resto do mundo.

Radiação de Força Vital

Pré-requisitos: 2

Efeito: O nome do Surgido é um farol secreto de força vital, partilhando uma pequena medida de sua imortalidade com aqueles ao seu redor. Este oferece os seguintes benefícios místicos:

  • Ela pode voluntariamente sofrer um ponto de dano agravado para remover uma confusão mental temporária. Este dano não deixa marca sobre ela, manifestando-se como uma letargia dolorosa. No entanto, o esgotamento espiritual ainda pode matá-la em conjunto com outras lesões.
  • Todos os seres vivos capazes de comprar Cura Rápida dentro de ([redigido] x 100) metros temporariamente ganha esse mérito. Os jogadores podem manter a bênção permanentemente, gastando experiência, desde que o personagem tenha Vigor suficiente. Em tais casos, a exposição inesperada à Sekhem transforma e eleva suas vidas. Os mortais que já têm Cura Rápida não se curam mais rápido sob a radiancia da múmia.
  • Seu jogador pode pagar um ponto de Força de Vontade enquanto está tocando um personagem Incapacitado, estabilizando a condição do personagem como uma ação instantânea. Ele não vai piorar a menos que sofra lesões adicionais.

A Alma Quíntupla

No sistema de crenças do Antigo Egito, a alma imortal era composta por cinco aspectos totalmente distintos: O Ab (coração), o Ba (espírito), o Ka (essência), a Ren (nome) e o Sheut (sombra). Esse cinco aspectos se conjugam para formar a alma em sua totalidade. Para as múmias – que são efetivamente almas egípcias antigas feitas em carne – não há dúvida de que nada é mais importante do que esses cinco pilares, que sabem que são os baluartes de sua própria existência incessante.

Múmias acreditam que cada um desses aspectos são tanto uma manifestação cardeal de seu próprio ser e uma manifestação de algo totalmente distinto de si mesmos. O nome de uma alma, por exemplo, era próprio de seu mestre, mas o próprio nome também existia como uma coisa – capaz de ser percebida, acessada ou até mesmo prejudicada – em si mesma. Da mesma forma o espírito, que às vezes deixa o corpo para trás e voa como um fantasma na noite, ou a sombra, que se estende para longe do corpo, ocupando seu próprio espaço… e seu papel.

Os pilares da alma quíntupla são parte tão integral dos protagonistas do jogo e dos temas que são representados por características de jogo. Além disso, essas características trabalham para formar a base de um novo ponto de partida da filosofia de design para o RPG Mundo das Trevas – um subsistema que flexiona um pouco os músculos do Sistema Storytelling, mantendo-se fiel a sua estrutura e design. Outros elementos do jogo interagem com e, ocasionalmente, derivam desse novo sistema de Pilares… incluindo o modo como a mágica da múmia funciona em jogo.

A Alma Quíntupla: O Decreto

Continuamos essa discussão com um olhar para o elemento do jogo mais importante derivado da alma quíntupla: o decreto.

Durante o Rito de Retorno, o indivíduo realmente morreu. Ele suportou um aperto de facas, dentes, garras e veneno para ficar diante dos veneráveis Juízes de Duat. Contra as acusações e torturas do Juiz final, ele pronunciou uma somatória desafiadora do seu ser: um decreto que favorece um aspecto de sua alma quíntupla. Um decreto da múmia determina sua visão geral e parte de sua alma – Pilar – com o qual ela é mais profunda e inerentemente sintonizada.

Aqui está uma amostra de um dos cinco decretos das múmias:

Controle do carro, não do trono. O assento elevado demonstra poder, mas não o use. Se você não exercer o seu poder, alguém fará isso por você. Seus sacerdotes, escribas, vizires, primos, membros da diretoria… eles estão todos prontos para tomar o seu comando por meio de pretensa “consultoria” e “delegação”. Um rei preso ao trono chafurda em ilusão e pretensão, gritando comandos que ele não pode aplicar. Ele mesmo proclama vitória enquanto os inimigos derrubam o seu palácio. Eventualmente, ele engole sua própria propaganda. Quando a faca dos assassinos edita sua vida supérflua fora do estado, ninguém fica mais surpreso do que ele.

Força verdadeira é ação – o trovão do carro, arco e maça. Ela emana do Ba. Quando a múmia profere o decreto do espírito, ele sobe nessa carruagem e promete levá-la para frente. Mesmo com a derrota, sua dedicação é irrepreensível e ele não pode ser destronado, exceto por sua própria mão. Ba é a voz interior que diz: “Eu vou fazê-lo”. Assim, o decreto cultiva humildade taciturna e bravura marcial, e talvez um pouco de impulsividade. Seguidores não desprezam a contemplação, mas acredito que não tenha nenhum significado a menos que se traduza em ação mundana.

Os assim chamados Cocheiros rugem de suas tumbas, emitindo ordens logo que a Sekhem se solidifica em uma garganta e uma língua para falar. De todos os decretos, eles podem sentir este a mais desesperadas em face de [redigido]. Ela limita o que pode ser feito com uma dada encarnação. Aquele que hesita perde mil anos. Assim, eles levam os cultos em caçadas antes que o plano seja definido, preferindo improvisar em vez de preparar, e muitas vezes microgerenciar em vez de delegar.

O Cocheiro prefere o comando mas não o exige. Ele reconhece a liderança superior quando obtém resultados, e atribui a ela a sua lealdade sem hesitação. Tanto em generais quanto em soldados rasos, o Ba leva ao trabalho duro a serviço de uma causa digna e ao sacrifício sem hesitação. O medo é o doce tempero da bravura, não o veneno da hesitação. O Cocheiro despreza emoções que possam fazer-lhe dar uma pausa. Quietude é a morte, o abismo entre os ciclos quando o bravo nada consegue. Siga uma corrente rápida ao longo do rio de [redigido] e impele ao passado cada dor ou prazer inútil, até que só suas realizações permaneçam.

Fonte: Magic: The Affinity, Mummy: The Fivefold Soul e The Fivefold Soul: The Decree
Autor: C. A. Suleiman
Tradutora: Eva

Sobre Eva

Escritora, tradutora e revisora, bruxa feminista, maga da Dragão Brasil, Oráculo do Livro dos Espelhos e editora da Aster Editora.

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