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Guia da Umbra para o Mundo das Trevas – Parte 2

08/01/2013

Que tal agora a gente avançar um pouco na Umbra no Clássico Mundo das Trevas, depois de passar pela Película e pela Periferia? Vamos ver, então, como a Penumbra funciona, a diferença entre as Penumbras e coisas do tipo.

Se você perdeu o primeiro artigo sobre a Umbra no Clássico Mundo das Trevas, dá uma olhada aqui.

Já vimos que a Película não é algo fácil de atravessar/ultrapassar, e devemos lembrar que cada criatura do Clássico Mundo das Trevas tem sua particularidade em relação à Umbra. Lobisomens (e algumas outras Raças Metamórficas) possuem uma facilidade maior, uma vez que eles são de fato seres metade carne e metade espírito, e a Umbra também é um lugar, digamos, natural para alguns licantropos. Já magos variam, de acordo com o paradigma, a ressonância pessoal e os conhecimentos de cada indivíduo. Fadas, por outro lado, possuem afinidade com o Sonhar (de que falaremos ainda, em momento oportuno no futuro), e as aparições de Wraith estão lá pela Umbra Baixa.

A Umbra Próxima

Vamos seguir pela Umbra Próxima, falando primeiro da Penumbra – ou seria das Penumbras?

Vale lembrar, também, que a Umbra Próxima é mais ou menos o que os lobisomens chamam de Umbra Rasa.

A Penumbra

Passando o estado de Periferia (que não é realmente um “lugar”, como costumamos imaginar), alcançada por humanos normais, temos a área conhecida como Penumbra.

A Penumbra nada mais é do que uma sobreposição ao mundo dito real, o material, onde vivemos a nossa vida. Este estado da Umbra reflete a realidade física, mas não como ela é, mas como se supõe que ela seja. É esse lugar que, um dia, esteve ligado à Terra, ainda que, hoje, estejam divididas.

Para ter uma ideia de “onde” fica a tal da Penumbra, dá uma olhada novamente na imagem do artigo anterior:

Dá pra ver onde, tecnicamente, fica a Penumbra? É o ponto da Umbra que ainda toca o mundo material, separado dele pela Película, e nem poderia ser de outra forma: caso a Penumbra desaparecesse por completo, não seria possível para a Terra continuar a abrigar vida. Ela está logo depois da Película, que toca a realidade física em todos os mundos, a comprimindo.

Com o que a Penumbra se parece?

É nela em que se veem coisas da Terra como elas realmente são. Um parque infantil visto da Penumbra possivelmente brilharia com alegria inconsequente, propícia para o acúmulo de espíritos jovens, alegres e brincalhões. Um hospital fosse visto, na Umbra, habitado por espíritos da cura – embora também pudesse se ligar à Penumbra do Mundo Inferior, dependendo do hospital… isso seria o que os magos chamam de ressonância.

A aparência da Penumbra se relaciona totalmente ao ponto de vista de quem a observa. Um lobisomem tende a ver tudo como espírito, com a lua imensa, sempre presente, dominando os céus, e o sol bem pequeno. Magos tendem a ver a Penumbra como um ponto de representação de ideias e conceitos muito mais do que coisas como espíritos. Os poucos vampiros que alcançam este lugar possivelmente veriam tudo num estado absoluto de decadência e decrepitude, um cenário pós-apocalíptico cheio de escombros. Pode ocorrer de, no caso de três visitantes diferentes estejam na Penumbra, os três enxerguem simplesmente coisas diferentes.

Embora a Penumbra seja uma “sombra” da Terra “iluminada” por ela em alguns pontos, ainda assim, aqui a regra da Umbra já começa a valer: distâncias, ainda que mais ou menos se correspondam, podem variar. Cores, formas, gostos e cheiros também podem variar bastante, dependendo de quem experimenta a sensação. Os sentidos podem não enganar, mas variar, e é praticamente impossível encontrar relatos iguais vindos de pessoas diferentes – sempre haverá variações em pequenos detalhes que fazem toda a diferença.

Quantas Penumbras existem?

Dadas essas diferenças de visão, que dependem mais das crenças de quem observa a Penumbra do que qualquer outra coisa, é comum se incorrer no erro de que existem três Penumbras, o que não é verdade. O que acontece é que existem “trechos” da Penumbra correspondente a cada uma das três Umbrae, e qual delas se alcançará depende realmente de quem está acessando a Umbra e percorrendo atalhos. Isso depende muito da afinidade natural de cada raça em questão: lobisomens geralmente percorrerão atalhos para a Penumbra equivalente à porção da Umbra Média, enquanto magos iriam para a Penumbra correspondente à porção da Umbra Alta. Fantasmas estão diretamente ligadas à Penumbra da Umbra Baixa – e changelings, bom, quem dos outros seres sobrenaturais realmente entende o que eles chamam de Sonhar? De qualquer forma, essas “Penumbras” são a mesma coisa e ao mesmo tempo não são. Elas não se comunicam, entretanto, entre si, e no fim é mesmo tudo questão de afinidade.

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E como se acessa a Penumbra?

Via de regra, um mago que queira percorrer atalhos para a Penumbra correspondente à Umbra Média, deve primeiro saber que a Umbra Média existe, o que é complicado de se explicar, porque isso varia muito de mago para mago. Mas eles precisam se, digamos, sintonizar com outros lugares da Umbra Próxima, caso queiram percorrer atalhos para lá. Um lobisomem que queira percorrer atalhos rumo à Umbra Alta precisa de uma bela busca, possivelmente com muita ajuda dos espíritos com os quais mantém pactos ancestrais (e isso se os espíritos que encontrarem pelo caminho sequer souber do que o lobisomem está falando). Para que um Garou vá para a Umbra Baixa, ele precisa de rituais (e conhecimentos desses rituais) muito específicos (coisas que são, de forma mais geral, de conhecimento ultra mega bem guardado pelo Sacerdócio de Marfim dos Presas e talvez pelos Peregrinos Silenciosos). Aparições dificilmente conseguiriam chegar na Umbra Alta, e para que alcancem a Penumbra correspondente à Umbra Média, precisam de uma Qualidade específica.

Quanto aos vampiros, o limite para eles, se bem me lembro, é o limite da atmosfera da Terra – o que significa que eles podem alcançar, geralmente, os Alcances Astrais, embora dependa muito da forma como o vampiro vai “contatar” a Umbra. Os Giovanni, por exemplo, geralmente vão contatar a Umbra Baixa, dada a sua necromancia, enquanto um vampiro usando Projeção Psíquica pode, geralmente, ir direto para a Penumbra da Umbra Alta. Vai do bom senso de cada jogador, da necessidade do personagem e de como aquela mesa de jogo especificamente lida com a Umbra como um todo.

Outro fato interessante é que as emanações mais poderosas da Terra vazam pela Penumbra e além, alcançando a Umbra, onde formam reinos espirituais. Por exemplo, um massacre em uma escola poderia criar um Buraco do Inferno que leva até o Reino da Atrocidade (ou mesmo até Malfeas), enquanto as bombas atômicas no Japão criaram reflexos psíquicos de zonas mortas que levam aos Mil Infernos dos Reis Yama.

Quando um personagem vai para a Umbra, ele não exatamente “vai”. De alguma forma, ele se torna a Umbra, se torna espírito, se torna efêmera, passando a vibrar na mesma intensidade que o trecho da Umbra em questão em que o personagem está. Isso varia de acordo com a natureza de cada criatura e da forma usada para “ir” para o mundo espiritual. Como eu talvez já tenha dito, mais do que um lugar, a Umbra é um estado, uma vibração, uma frequência, ou mesmo uma dimensão.

* * *

No próximo artigo, vamos para a Umbra Média? *-* Ainda estou levantando informações sobre ela, mas, principalmente, estou levantando dúvidas. Aquelas que surgiram nos comentários do primeiro artigo estão anotadíssimas, porque são essas dúvidas que ajudam os nossos artigos a se expandir, e às vezes, a se dividir em mais de um artigo, para tirar as dúvidas da galera que acompanha a gente.

Até lá gente!

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Autora: Eva

Sobre Eva

Escritora, tradutora e revisora, bruxa feminista, maga da Dragão Brasil, Oráculo do Livro dos Espelhos e editora da Aster Editora.

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