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Grupos Dissidentes do Culto do Êxtase

02/03/2014

Tantra-reikidharma2-kulaConforme prometido, nosso artigo de hoje traz mais informações sobre o Culto do Êxtase.  Depois de trazer informações sobre as Facções Históricas (parte um aqui e parte dois aqui), trataremos dos Aghoris, Hagalaz e Acharne, aumentando o acervo do Livro dos Espelhos para Mago: A Ascensão.

Possivelmente o próximo artigo será sobre Vampiro: A Máscara :3

E atenção, fiquem atentos: o financiamento coletivo para a edição Deluxe de Mago: A Ascensão Edição de 20 anos deverá ter início nesta segunda-feira, 3/3/2014, a partir das 14 horas no horário de Brasília, e sua duração costuma ser de um mês. Anunciaremos aqui no blog quando o financiamento tiver início, mas para não perder nada, dê um like na nossa fanpage no Facebook. Participe também do nosso grupo no Facebook ^-^

Nota: Lembrem-se de que RPG é só um jogo, e de que o Clássico Mundo das Trevas é recomendado apenas para maiores de 18 anos. Tentamos, ao escrever tais artigos, não emitir juízo de valor, mas ainda assim, fica o aviso para as pessoas sensíveis ou as com problemas de interpretação. Se começar a confundir jogo com realidade, procure auxílio médico.

Grupos Dissidentes do Culto do Êxtase

Alguns grupos do Culto simplesmente não seguem o Código de Ananda. Mas, mais do que simplesmente não seguir, alguns grupos desafiam abertamente o Código, dizendo que ele é uma crença fonte de fraqueza, ao afirmar que todos são fundamentalmente bons e ninguém vai ferrar com ninguém – coisa que na melhor das hipóteses é ridicularizada pelos Dissidentes. O Código diz para não machucar ninguém, mas e se machucar os outros for a sua Paixão, como segui-la? E machucar a si mesmo? Não seria um paradoxo?

Ok, isso pode ser bastante confuso – se eles recusam o Código, como podem ser Extáticos? É que recusar o Código não significa recusar as bases da filosofia Extática, ou sua prática, já que a base da filosofia Cultista é ir sempre ir além do que existia antes, e ao quebrar tabus e procurar seus limites, esses Cultistas, para além de qualquer estereótipo que se possa ter do Culto, mostra o que a Tradição é além de sua superfície.

Muitos magos de outras Tradições procuram manter distância desses grupos, e os acham caóticos, perigosos e até mesmo moralmente duvidosos. Porém, os maiores opositores dos Extáticos são, sem sombra de dúvida, os próprios Extáticos, o que confere um dinamismo bastante peculiar a esta Tradição.

Aghoris

O mais antigo grupo de dissidentes, chamados de “Destemidos”, são descendentes dos antigos cultos Shakti dos arredores de Bangladesh. Defende certa contenção, apesar de sua filosofia de destruição total desta ilusão popular conhecida como “O Eu”, que para eles é a única forma de quebrar todas as ilusões do karma. Assim, não é de se estranhar que membros da Irmandade de Akasha e mesmo dos Eutanatos se deem bem com o Aghoris. Foram um dos primeiros grupos a responder quando Sh’zar convocou os Extáticos, e sua aliança com Akáshicos e Tanatóicos os ajudou a firmar sua influência no Conselho.

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Ironicamente, é o grupo extático mestre nas Artes Extáticas do Tantra e, como tal, não entram em êxtase sexual. Como acreditam que na verdade todos são um só, para o azar de quem está por perto deles, membros do Aghoris acreditam que devem prejudicar aos outros como a si mesmo, para assim atingir o estado absoluto de iluminação.

Toda a filosofia Aghoris é sobre a negação do eu, ou seja, não é sobre ferir, é sobre se iluminar. Sua prática envolve Tantra, perda de sangue, cinzas humanas, flagelação, castração e exaustão física e mental. Muitos são vegetarianos ou veganos, embora muitos cheguem mais longe e só comam aquilo que lhes seja oferecido pelos outros. Costumam viver em crematórios, cemitérios e outras áreas rurais que envolvam a morte.

Na Edição Revisada do cenário, estão em uma posição complicada, uma vez que os Mestres se foram e eles nunca foram de acumular poder político ou financeiro. Agora, estão lutando para quebrar as correntes kármicas, e a conta acaba ficando para a consciência deles e( para a consciência alheia).

Hagalaz

Na Noruega, existe um grupo descendente dos antigos cultos a Odin, Freyja e Loki, que trava a sua própria guerra contra a modernidade e o cristianismo. Os Hagalaz são um dos grupos de magos moruegueses e que vivem num estado de guerra permanente, procurando um retorno à cultura e à religião da Noruega antiga que eles veem como mais forte, justa e produtiva. Eles combatem o cristianismo, que consideram como lixo cultural importado dos judeus, e que é totalmente alienígena à cultura e religiosidade norueguesa.

O grupo incorpora diversas formas de mágika, com os Sutr agindo como clérigos de Loki, usando a mágika das runas e das armadilhas para derrotar seus inimigos. Os Filhos de Wotan são berserkers necromantes que se jogam em combates suicidas contra a Tecnocracia e outras instituições mundanas, sabendo que o Valhalla aguarda aqueles que morrerem na glória do combate. Os Freyji servem à Freyja e A invocam para lançar maldições e prever o futuro.

Os Hagalaz modernos costumam estar entre subculturas heavy-metal dos Adormecidos, já que são grupos que muitas vezes preferem a força à humildade e o paganismo ao monoteísmo, assim como os Hagalaz. Muitos têm conexões com o comércio das drogas para obter suas “drogas de entrar em berserker”.

Possuem alguns laços com os Verbena, embora os grupos não se deem tão bem assim, já que os magos nórdicos deste grupo acabam tendo dificuldades para… bem, se dar bem com outras pessoas. Os Hagalaz possuem fortes alianças com os espíritos lobos conhecidos como vargr, que na verdade organizaram os Hagalaz.

Acharne

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O mais novo dos grupos dissidentes do Culto a ganhar importância é… complicado. A forma como procuram aperfeiçoar suas próprias vontades através de constantes testes de submissão é visto com preocupação por quem está de fora. O Acharne surgiu no Século XIX, quando a aristocracia Romântica britânica foi para a Grécia combater por sua independência contra os turcos otomanos. Esses aristocratas se envolveram em cultos estoicos e voltaram para a Grã-Bretanha com estátuas, histórias e práticas ocultistas desconhecidas em sua terra natal. Suas práticas variam entre o sofrimento mental e um certo fraco pela… automutilação, entre práticas ocultistas e rituais projetados para degradar aqueles de que deles participam. As atividades em suas Capelas costumam variar entre sangrentos esportes machistas, encontros degradantes ou práticas simplesmente maldosas.

Na década de 1920, essas sociedades secretas formadas pelos Archane se infiltraram no sistema de fraternidades britânicas e se juntaram aos “Clubes do Inferno”, cujas salas traseiras serviam aos rituais decadentes dos Acharne que então nasciam como são hoje. Não é preciso dizer que mesmo entre os Adormecidos, tais Clubes tinham uma péssima reputação.

A prática continua até hoje, e o Acharne moderno ainda é um culto de mistérios e que só aceita homens em suas fileiras. Cada nível de avanço na hierarquia é seguido pela revelação de um novo mistério para o iniciado. A iniciação é dividida em duas partes: a primeira é um rito, em que o iniciado marca o símbolo do ômega em seu próprio membro – se ele não tiver a coragem e a vontade de fazer isso, sua mente é atormentada pela loucura, e em seguida ele é libertado para viver com a sua própria vergonha; a segunda parte envolve o Acharne destruindo um aspecto das vida do iniciado para ver se ele pode sobreviver a isso, o que pode envolver a perda de um ente querido, do emprego ou algum tipo de privação sensorial. Uma vez aceito no Acharne, o recém iniciado bebe do sangue dos membros de sua nova Cabala, ritual que forja profundos laços emocionais entre seus membros.  Seus clubes secretos e violentos renderam o apelido de Durdenitas* aos Acharne.

Os Acharne focam na Esfera da Mente no lugar da Esfera do Tempo, e a maioria de suas mágikas estão voltadas para a vontade pessoal e resistência mental. Ainda que a tortura e o sofrimento sejam focos bastante usados, muitos usam símbolos gregos, drogas pesadas e a ingestão de sangue.

* Durdenitas: do inglês “Durdenites”, pode se referir aos seguidores do estilo de vida que envolve levar constantes pancadas da vida e, ainda assim, ter uma atitude positiva (termo com este significado derivado do filme Clube da Luta); pode se referir também a uma prática de se envolver amorosa e sexualmente com uma pessoa deprimida ou fragilizada (geralmente mulheres) e depois agir como se não a conhecesse.

Fonte: Tradition Book Cult of Ecstasy 1st Edition e Tradition Book Cult of Ecstasy Revised Edition
Tradutora e resenhista: Eva

Sobre Eva

Tradutora, revisora, escritora e sonhadora. Anarcafeminista em constante estado de amor e horror com o mundo. Editora no Livro dos Espelhos.

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