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Fugindo do Mais do Mesmo: Clã Brujah – Vampiro: A Máscara

21/08/2017

O Livro dos Espelhos volta na pira da 5ª Edição de Vampiro: A Máscara e de grandes esperanças pra nossa comunidade com o Storytellers Vault, que logo logo aparece por aqui. Sem mais enrolação, voltamos às publicações com um texto sobre personagens Brujah, para quem ama a Ralé.

Fugindo dos Estereótipos

Sabe sempre que você faz um personagem e tenta reinventar a roda para não fazer um personagem estereotipado?

Quer fazer um personagem único e acaba, sendo só mais um que tenta fugir do mesmo?

Acho que posso dar umas dicas.

Todo clã, tradição, tribo, convenção ou seja qual o nome da divisão de grupos que seja adotado, descreve as características básicas encontradas entre seus membros. Com essa informação, podemos ou não criar personagens únicos com estereótipos ou fora dele.

Vou tomar aqui como exemplo os Brujah, e irei focar neles daqui para frente.

Brujah fora da Caixa

Descrevem os Brujah como anarquistas, punks, desajustados, entre outros adjetivos, somente baseados em suas ações. Mas não percebemos uma ou duas palavras escritas na descrição do clã desde a primeira edição, a principal é: iconoclasta.

Para bom entendimento, devemos primeiro saber o que é iconoclasta, adjetivo e substantivo de dois gêneros:

  1. que ou aquele que destrói imagens religiosas ou se opõe à sua adoração.
  2. que ou aquele que destrói imagens em geral.

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Bom, se todos que quebram/destroem imagens no geral são iconoclastas, e filósofos de certa forma quebram essas imagens, voltamos à origem do clã.

Os reis-filósofos, bem, a filosofia até hoje é uma fonte de desconstrução e reconstrução. Em outras palavras, o trabalho do filósofo é destruir conceitos, até sua partícula mais indivisível e, a partir disso, trazer um novo entendimento, um novo conceito, uma nova forma de se ver algo.

A muito grosso modo, a nossa História está repleta de pessoas que podem ser encaradas como Brujah, exatamente por toda essa questão de serem iconoclastas, e de certa forma, rebeldes.

Brujah dentro da Igreja?

Podemos dizer que tivemos dois, Martinho Lutero e Giordano Bruno. O primeiro se revoltou com a venda de indulgências e associando essa prática ao pecado da avareza e ao paganismo que a Igreja havia adotado, não preciso dizer que houve uma cisma entre o Papa e ele. Já o segundo foi considerado herege, julgado e condenado à fogueira por contradizer o que a Igreja pregava, principalmente quanto à Terra ser o centro do universo, e a finitude deste último. Seu caminho para o suplício foi feito com a língua pregada, para que não propagasse o que não devia…

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O Underground

Os movimentos de contracultura, os chamados Beatniks, foram o espaço em que se cristalizaram os maiores exemplos dos quebradores de ícones. A liberdade que uma moto e uma estrada davam, os prazeres lícitos e ilícitos, a expressão artística, o anarquismo, eram todos pontos comuns, em que também se incluem as bibliotecas que muitos destes autores possuíam e eram abertas aos amigos que se dispusessem a pegar a estrada.

No Brasil podemos ver alguns exemplos também, muitos entre o finalzinho do século XIX, até o período pouco após os Roaring 20 (Loucos anos 20 – década de 1920). João do Rio é um exemplo bem claro disso, considerado um mestiço, não é bem aceito pelos brancos e se considera superior aos negros. Escreve suas crônicas sobre como a alta sociedade carioca vive em cortiços e favelas negras atrás dos terreiros de magia para resolverem seus problemas.

O interessante é que  João do Rio viveu influenciando a sociedade na boêmia, tentando reconstruir todo o conceito de amor à rua. Conhecia mais das mazelas da cidade que os políticos. Defendeu novas ideias tanto na política quanto no campo social, atraindo muitos opositores, como qualquer Brujah em qualquer principado, deixando para a posteridade a frase que deveria ser meio que mote de qualquer membro do clã: A rua me ama.

Imagem: Art of Vampire: the Masquerade

Sobre Davi Campino

Davi Campino, como todo bom Troll, adora uma masmorra úmida, escura, fedorenta e em ruínas, por mais que não goste de dividir seu espaço com dragões (é sério, alguém já reparou nas azias deles?), pegou o final da geração xerox, é historiador se especializando em antigas, em seu tríplice aspecto é um Brujah, um Fianna e um Cultista.

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