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Fazendo a Mágika Acontecer em Mago: A Ascensão – Parte 2

26/09/2012

Continuando a analisar como fazer a mágika acontecer em Mago: A Ascensão, vamos continuar a explorar a tabela “Lançando Mágikas” presente no livro básico da 2a Edição. Você pode ver a parte 1 deste artigo aqui, onde exploro a pergunta “O que você quer fazer e como quer fazê-lo?”. Agora, é a hora do segundo tópico da tabela.

Lançando Mágikas
2) Você sabe o suficiente para fazer aquilo que deseja?
a) Você tem as Esferas apropriadas?
b) O que você está fazendo é coincidente ou vulgar?
c) Você precisa de algum Conhecimento mundano para ajudá-lo?

 

Aqui a coisa se torna um pouco mais simples. Vamos fazer uma simples checagem de regras e de interpretação delas (afinal, algumas coisas são muito relativas) para determinar se, de fato, seu personagem pode fazer o que você quer de acordo com a ficha dele.

2) Você sabe o suficiente para fazer aquilo que deseja?

Aqui, você vai analisar se ele tem as Esferas necessárias, os conhecimentos mundanos para que o seu personagem possa fazer, de fato, o que ele quer fazer e como ele pode fazer para tornar sua mágika mais fácil.

a) Você tem as Esferas apropriadas?

Aqui, uma simples checagem de regras resolve. Você confere, passo a passo, o que você quer fazer, junto com o seu Narrador, para determinar as Esferas necessárias. Se for uma rotina que seu personagem conheça ou costume usar, fica muito mais fácil, afinal você já sabe como vai fazer esta parte, então é só adaptar para a situação.

Eu sei que, na ficha oficial, não tem muito espaço para anotar as rotinas conhecidas do seu personagem, mecânica e as informações rápidas de que você precisa. Foi por isso que, com base numa velha fotocópia que eu tinha em casa de uma folha para anotar magias de AD&D, fiz uma folha para poder imprimir e anotar as rotinas mais usadas pelas minhas personagens, o que facilita muito a vida. Você pode baixar a versão que eu uso aqui.

De qualquer forma, a palavra final é do Narrador, depois de checar o tipo de efeito que você quer fazer (se simples, conjunto ou complexo – efeitos conjuntos ou complexos, que exigem mais de uma Esfera, obviamente aumentam a exigência de conhecimento em Esferas xD) e os níveis necessários.

Desde que a sua personagem tenha o conhecimento em Esfera, saiba fazer aquilo (ou invente um jeito) com o conhecimento em Esfera que possui e acredite que é capaz de fazer aquilo (olha o paradigma aqui outra vez!), então ele se torna capaz de fazer algo com o nível apropriado de Esfera. Eu sei que parece redundante, mas olha só do que a sua personagem precisa:

  • A personagem possui o nível apropriado em Esfera;
  • A personagem tem ideia de que teoria, místika ou tecnomágika, dá pra aplicar ou adaptar para fazer acontecer o que ele deseja;
  • A personagem acredita, de fato, de que não só aquilo é possível como ele é perfeitamente capaz de fazer aquilo sem precisar forçar os limites das próprias crenças para justificar o que ele quer fazer

Lembre-se que, num jogo de crença, caso seu personagem não acredite naquilo que ele está fazendo, ele pode até conseguir fazer – porém ele mesmo vai servir de testemunha para um efeito que ele mesmo considera vulgar, já que ele não vai botar muita fé naquilo que ele está fazendo. Estranho, não é? Mas é verdade, a descrença do próprio Artífice da Vontade pode desencadear as forças do Paradoxo.

b) O que você está fazendo é coincidente ou vulgar?

It’s a trap! Aqui, a palavra final é sempre do Narrador, embora o jogador possa tentar argumentar – ou tentar contornar o Efeito em si, tornando-o mais sutil e, muitas vezes, mais demorado. Aqui, a gente também tem um probleminha. O que é vulgar em um lugar pode não ser em outro. O que é vulgar na Avenida Paulista, em plena segunda-feira de tarde pode não ser durante as madrugadas aos finais de semana. Depende de um monte de variáveis. Entretanto, algumas coisas (como bolas de fogo) sempre serão vulgares – a menos que, por exemplo, seu personagem tenha uma garrafa de aguardente, ou uma lata de spray, um isqueiro … por isso é importante que o Narrador descreva muito bem o clima do lugar onde se dá a cena (e a campanha). Outra coisa importante é a presença ou não de testemunhas Adormecidas.

Você também pode dar uma olhadinha neste artigo: Afinal, o que é vulgar em Mago? Lá, eu joguei algumas ideias de como determinar o que é vulgar no jogo. Mas isso varia muito de cenário para cenário, como também de edição do jogo para edição, então saiba bem onde você está jogando e, na dúvida, pergunte ao seu Narrador.

c) Você precisa de algum Conhecimento mundano para ajudá-lo?

Você quer criar um carro partindo do zero? Tenha certeza de ter as Habilidades necessárias na ficha para saber como um carro inteiro funciona. Quanto mais complexo for o que você quer fazer, maiores poderão ser as exigências do Narrador. Estas Habilidades necessárias, geralmente, fazem parte do uso do foco de que o Desperto está fazendo uso – mas não necessariamente. Para ler o futuro através das estrelas no céu noturno o Narrador pode exigir, por exemplo, Conhecimento em Astrologia (ou simplesmente em Ocultismo).

Quanto mais complexo for o que você quer fazer, maior a probabilidade de ser necessário o uso de algum conhecimento mundano para ajudar. A maioria das mágikas não vão exigir este tipo de conhecimento, entretanto, está totalmente a critério do Narrador. Aqui, a regra não é fixa, exige o bom senso das partes envolvidas. Fora que descrever o seu personagem interpretando o que ele está fazendo num jogo de búzios para alterar as probabilidades de algo acontecer usando Entropia é muito mais legal do que só dizer que está usando a Esfera (e pode render pontos extras de experiência ao final da sessão ou campanha, se o Narrador for gente boa :).

O que mais acontece neste estágio?

O livro deixa claro que a parte de Permutações Mágikas ocorrem aqui. Por exemplo, você pode estar usando mágikas sensoriais (o que pode fazer com que, no lugar de testar Arete, seu personagem simplesmente faça um teste simples de Percepção), e/ou dividindo sua percepção com outras pessoas (o que vai aumentar a dificuldade em +1). Se for um teste de detecção de mágika, um teste simples de Percepção + Consciência, com dificuldade 7, já resolve o problema – e descarta esses cálculos todos, embora a forma como seu personagem vai perceber a mágika varie de acordo com o paradigma dele.

É aqui, também, que entram complicações/variações de regras, como o caso de se estar operando em conjunto (com o auxílio de outros Despertos, de acólitos, consortes, etc), ou mesmo Contramágika.

A última possibilidade de variação, aqui, é se usar as variantes de Habilidades Melhorando Mágikas ou de Mágikas Melhorando Habilidades. Não vou me entender muito neste ponto – uma conferida com atenção no módulo básico antes do jogo pode resolver as dúvidas do Narrador aqui. Ou, ainda, ele pode decidir ignorar totalmente as possibilidades de se usar Habilidades para afetar a mágika, ou de se usar mágika para afetar Habilidades (coisa que, confesso, não gosto muito de fazer, procuro deixar meus jogadores tão livres para criar suas variações quanto possível). O Narrador só precisa ficar atento para que os jogadores respeitem sua palavra final sobre o que é ou não possível – discussões sobre regras, principalmente sobre regras que podem ser tão subjetivas, podem fazer toda uma mesa perder o pique de jogo.

Por enquanto é isso. Em breve eu retorno neste assunto, continuando a explorar as minhas interpretações das regras. Então, fiquem cientes que não há um consenso, e que estes artigos são apenas as interpretações das regras por parte de uma Narradora de Mago, ok?

[/jabá mode on u.u]E pra galera que perguntou (porque é praticamente impossível achar módulo básico de Mago da 2ª ou da 3ª Edição disponível em português), fiquem ligadinhos que logo mais, na nossa loja, deveremos ter alguns (poucos) exemplares disponíveis. Lá você também vai encontrar outras coisas legais e, de quebra, ajudar a gente a continuar mantendo o blog no ar e escrevendo esses posts pra vocês ^-~ [/jabá mode off u.u]

Beijos!

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Fonte de consulta: Mago: A Ascensão 2ª Edição – página 161 a 175
Autora: Eva
Agradecimento: Sonado, que pediu pelo post (e me arrumou dor de cabeça xD)

Sobre Eva

Escritora, tradutora e revisora, bruxa feminista, maga da Dragão Brasil, Oráculo do Livro dos Espelhos e editora da Aster Editora.

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