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Fazendo a Mágika Acontecer em Mago: A Ascensão – Parte 1

18/09/2012

Uma das maiores dificuldades dos jogadores de Mago: A Ascensão é sacar como fazer para combinar aquelas bolinhas legais na ficha pra tocar o terror. Afinal, um dos momentos mais legais de uma mesa com personagens novinhos (e nubzinhos) é o momento mágico (ahá!) em que alguém olha pro Narrador e diz “bola de fogo!”, é tão lindo que, se sou eu a Narradora, comemoro.

Eu acho particularmente impossível jogar Mago sem ter lido, ao menos, o módulo básico do jogo. Eu sei que é raro de achar (e estamos trabalhando nisso na lojinha, já deu uma olhada no catálogo hoje? /jabá mode off), mas se você conseguiu a façanha de conseguir uma mesa, então seu Narrador deve ter ao menos o básico. Lá, no básico (usei o da 2ª edição, mas você pode usar as regras da 3ª que o conceito não é tão diferente), você vai encontrar o que transcrevo abaixo. Dividi a tabela em pedaços, assim, poderemos entender direitinho cada passo da tabela, e dar tempo tanto para dúvidas quanto para o debate (então os próximos posts vão depender da resposta de vocês). Ao final da série de posts, coloco a tabela completa para quem quiser consultar.

Lançando Mágikas
1) O que você quer fazer e como quer fazê-lo?
a) O que você está tentando fazer e como está tentando fazê-lo?
b) Que Esferas está usando?
c) Como o seu Efeito se parece?
d) O que o seu personagem fez para realizá-lo?
e) Quanto tempo leva?

 

Bem, não vou entrar no mérito sobre a regra de x ou y edição – não vem ao caso. Você pode notar que eu alterei a tabela, pra colocar números e letras. Isso vai servir pra gente se orientar, ok?  Então vamos lá.

1) O que você quer fazer e como quer fazê-lo?

Como a gente sempre bate na mesma tecla, e eu nunca me canso: tenha um Paradigma. Magos não fazem mágika sem um Paradigma. É o modelo de crenças que molda a visão de realidade do mago, e ele precisa ter uma visão definida. Como um Artífice da Vontade não vai saber bem no que acredita, o que quer, ter uma visão própria de mundo onde exercerá a sua vontade? Eu, enquanto Narradora, não aceito em mesa jogadores sem um Paradigma definido. É daqui que tudo parte – mesmo antes de Despertar, um mago já tinha uma filosofia pessoal que, após o Despertar, se mesclará à sua filosofia, digamos, mágika.

Você tem um Paradigma definido? Ele faz sentido? Não tá nada forçado? Tudo se encaixa? Muito bem, padawan.

a) O que você está tentando fazer e como está tentando fazê-lo?

“Eu lanço uma bola de fogo no Tecnocrata malvado!”. Tipo, oi? Como você vai fazer isso? Onde isso se encaixa no seu Paradigma? Enquanto um Hermético abrir as mãos, fazer gestos e dali sair uma clássica bola de fogo faça todo o sentido do mundo, não dá pra imaginar um Adepto fazendo da mesma forma – mas ele pode muito bem transferir eletricidade para as luvas de energia, transformar eletricidade em fogo e voilà! Temos uma bela bola de fogo arrebentando tudo pelo caminho – ou não, porque você ainda não rolou…

b) Que Esferas está usando?

Aqui o bicho pega. Você sabe o bastante pra fazer o Efeito desejado?  Aliás, você sabe o que é um Efeito, e ao que ele corresponde do ponto de vista das regras? Um Efeito é uma ação. Pode se prolongada, pode levar um turno, ou ser um ritual de dias, meses, mas ainda assim, um Efeito sempre vai corresponder a uma ação, prolongada ou não. O conceito é importante pros mais espertinhos que inventam de realizar um Efeito quando já tem outro rolando, mas não vou entrar neste ponto agora (talvez depois, dependendo das dúvidas da galera). Mas, voltando ao começo… e ai, o que é um Efeito, além de uma ação? Basicamente, existem três tipos de Efeitos:

1º) Efeito Simples: é o tipo mais sossegado de Efeito. Por exemplo, ver o passado (Tempo 2), teleportar (Correspondência 3). Envolve uma única Esfera, tudo o que você quer fazer é coberto pela possibilidade do nível de uma única Esfera, então está tudo de boa na lagoa.

2º) Efeito Conjunto: agora a coisa começa a esquentar (alguém falou de bola de fogo? *-*). O que eu chamo de Efeito Conjunto é tudo aquilo que precise de mais do que a descrição de uma única Esfera, sozinha, seja capaz de fazer, mas não é algo complexo o bastante para exigir uma longa descrição. Por exemplo, temos… Bola de Fogo! (Forças 3 + Primórdio 2), transformar matéria orgânica em matéria inorgânica (Vida + Matéria, o nível depende da complexidade das matérias envolvidas), lançar raios (novamente Forças 3 + Primórdio 2) e por ai vai. São sempre Efeitos que precisam de conhecimentos e habilidades que fazem parte de mais de uma Esfera diferente, mas não complexos o bastante para exigirem trezentos e noventa e dez (uau!) sucessos e tornar necessário algum tipo de ritual.

3º) Efeito Complexo: basicamente, você está juntando dois ou mais Efeitos, Simples e/ou Conjuntos, pra fazer algo absolutamente fantástico (ou fazer alguém ter um dia muito, muito ruim). Aqui cabe qualquer coisa que a sua imaginação mandar, mas tudo tem um preço. Você vai precisar dividir os sucessos finais para cada coisa que você quer fazer, o que significa que isto vai te tomar um belo tempo e que, no final, você vai ter de decidir em qual característica do Efeito Complexo você vai investir seus sucessos para dano e duração. Eu não tenho nenhum exemplo de cabeça agora, mas vocês podem dar exemplos, nos comentários, de Efeitos Complexos que vocês acham que cabem aqui, que a gente troca ideia o/ (e só pra constar, o nome “Efeito Complexo” foi só o jeito que eu encontrei pra diferenciar dos Efeitos Conjuntos, então não faz parte da nomenclatura oficial do jogo).

Voltando pra pergunta inicial, viu onde o bicho pega? Você precisa pensar nos detalhes do seu Efeito, pra determinar as Esferas que precisará para que ele funcione, tanto a Esfera em si quanto o nível exigido para determinado Efeito. Não se desesperem – quanto mais você joga Mago, mais fácil isso vai fluindo. É tudo uma questão de experiência e de ir conhecendo o seu personagem.

c) Como o seu Efeito se parece?

É a parte narrativa do Efeito – caso você tenha sucesso, qual vai ser a aparência dele. Manero!

d) O que o seu personagem fez para realizá-lo?

Segura Berenice, vai bater! Muita gente derrapa aqui. Você precisa descrever o que o seu personagem fez para que o Efeito em si acontecesse, que Habilidades usou e tudo o mais. Ou seja, focos pra que te quero!

e) Quanto tempo leva?

E então, eis que a jurupoca pia. Aqui, meus amigos, o negócio fica feio – mas não tão feio quanto ficará se você tiver uma Falha Crítica. Quanto tempo leva pra que um Efeito aconteça? Via de regra, um Efeito sempre se ativa no mesmo turno, quando ocorre a sua ação (de acordo com o teste de Iniciativa), a menos que seja algo mais complexo, que exija mais sucessos ou mais tempo para que o mago utilize corretamente seu foco. Isso vai depender exatamente do que você está tentando fazer, de como você vai fazer e que Esferas vai usar. Viram que é um negócio em cascata? Mas vamos lá, Despertos brasileiros, nós sabemos que vocês conseguem! Principalmente porque, sim, dá pra fazer um Efeito acontecer no mesmo turno mesmo que seu foco seja mais complexo, porém, ele recebe um adicional de +1 a +3 na Dificuldade do teste de Arete, não pode ser um Efeito Prolongado (ou seja, uma ação Prolongada) e a palavra final é sempre do Narrador, que no final, é quem determina de quanto em quanto tempo você pode fazer uma nova rolagem de Arete, ou seja, ele é quem diz se é possível ou não fazer o Efeito sair no mesmo turno.

Até aqui já deu bastante pano pra manga, não é? No próximo post (caso tenha um novo post), eu continuo percorrendo a tabelinha (que você encontra na página 169 da 2ª edição) e detalhando as coisas.

Gostaria ainda de lembrar que não são verdades absolutas, apenas as minhas interpretações para as regras, de acordo com o que aprendi jogando em mesas fantásticas, narrando para jogadores incríveis e trocando ideia com uma galera que realmente manja do cenário. Então aguardo os comentários de vocês!

Bônus: Termos Úteis

Como eu sei que é treta lembrar de cabeça de todos os termos de mágika, transcrevo aqui o glossário curto, oficial, da 2ª edição de Mago, apresentada no capítulo que trata das regras de Mágika.

Arete: A combinação da iluminação e da vontade que permitem que um mago realize mágikas.
Esfera: Uma dos nove elementos da realidade normalmente compreendidos.
Efeito: O resultado do uso de alguma mágika (“Um Efeito de Forças 4”); também pode ser uma rotina que use apenas uma Esfera.
Efeito Conjunto: Um Efeito que utilize mais de uma Esfera (“Forças 3, Vida 2”) de uma vez.
Rotina: Um efeito famoso que se tornou popular. Também chamado de procedimento pelos Tecnocratas.
Mágika coincidente: Um Efeito que poderia ser aceito como sendo normal, no máximo comum, por um observador mundano. Exemplos: Vestir um equipamento jato-propulsor; influenciar um motorista de táxi a atendê-lo com uma mágika de Mente; disparar um raio explosivo com uma pistola de alta tecnologia; curar um doente com o poder de Deus.
Mágika vulgar: Um Efeito que obviamente desafia a realidade como a conhecemos. Exemplos: Voar pelos céus sem equipamentos; criar um táxi do nada; conjurar uma bola de fogo e lançá-la; cicatrizar ferimentos abertos com um toque da sua mão.

Próximo Artigo: Fazendo a Mágika Acontecer em Mago: A Ascensão – Parte 2 >

Fonte de consulta: Mago: A Ascensão 2ª Edição – página 161 a 169
Autora: Eva
Agradecimento: Sonado, que pediu pelo post

Sobre Eva

Tradutora, revisora, escritora e sonhadora. Anarcafeminista em constante estado de amor e horror com o mundo. Editora no Livro dos Espelhos.

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