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Falhas Críticas em Storyteller

29/04/2016

eyes-730750_640No artigo de hoje, pegamos o embalo da queda de temperatura para trazer a regra de falha crítica, aquela mesmo que causa frio na barriga de todos os jogadores, direto da edição de 20 anos de Vampiro: A Máscara, mas que se aplica a todo o sistema Storyteller.

Embora já tenhamos abordado como funcionam os testes e a parada de dados em Storyteller, alguns jogadores e jogadoras vieram com dúvidas mais específicas, então optamos por traduzir o trecho que trata especificamente da regra de falha crítica.

Esperamos que curtam o artigo de hoje, e que possamos nos ver amanhã, em São Paulo, na FunBox, para o Joga Junto, okay?

Até amanhã!

Falhas Críticas

O azar pode arruinar qualquer coisa. O mais básico de um teste é uma “falha crítica”. Sempre que um dos dados resulta em um 1, ele cancela um sucesso. Completamente. Pegue o dado exibindo 1 e um dos dados exibindo um sucesso e coloque-os de lado. Desta forma, uma ação que, de outra forma, teria sucesso, pode ser reduzida ao fracasso.

Ocasionalmente, uma sorte verdadeiramente má ataca. Se nenhum dos seus dados resultar em um sucesso e um ou mais dados forem dados exibindo 1, o teste é uma falha crítica. Se você alcançar ao menos um sucesso, mesmo que este sucesso seja cancelado e ainda sobre 1s adicionais, trata-se apenas de uma falha simples.

Uma falha crítica é muito pior que uma falha normal — é uma desgraça dramática. Por exemplo, obter uma falha crítica quando estiver tentando ser tagarela com o Xerife pode fazê-lo achar que é melhor que você vá ver o Príncipe para se explicar por conta própria. Uma falha crítica em um teste de Furtividade quando estiver invadindo um apartamento faz tanto barulho que o vizinho chama a polícia. Uma falha crítica em um teste de Empatia com Animais enfurece o animal. Uma falha crítica em um teste de Esportes significa que você mediu a largura do abismo entre os dois edifícios incorretamente… e veja só toda essa cerca de arame e arame farpado erguendo-se para conhecê-lo. O Narrador decide exatamente o que dá errado; uma falha crítica pode produzir um pequeno inconveniente ou pode resultar em uma catástrofe completa.

Claro, alguns Narradores podem achar que as falhas críticas estão surgindo com um pouco de frequência demais em suas crônicas (as leis da probabilidade muitas vezes deformam-se em torno dos dados, como qualquer jogador veterano pode atestar). Nesse caso, é privilégio do Narrador dar a todos, tanto personagens de jogador quanto do Narrador, o direito de não contar o primeiro teste da sessão que resultar em uma falha crítica. Esta regra tende a fazer a não-vida um pouco mais fácil para os jogadores — mas, novamente, há também menos chances de seus inimigos sofrerem uma maré de azar…

Exemplo: Seu personagem está fugindo desesperadamente do mais zeloso dos Paladinos do Arcebispo, e tudo o que está entre ele e a segurança de seu refúgio é um elevador de carga que leva até as docas de serviço da fábrica frigorífica. Você testa Vigor + Esportes (dificuldade 8) do seu personagem, na esperança de tomar a dianteira de seus perseguidores até o elevador e obtém 9, 1, 1, 8, 1. Os 1s excedem os sucessos, mas devido ao fato de que você obteve algum sucesso com que começar, a ação simplesmente falha. O Narrador decide que você chega até o elevador — mas ele está dois andares acima. Você corre para a escada, mas não tem tanta sorte como a perseguição continua. Os dados para Vigor + Esportes resultam em 1, 3, 4, 3, 7. Desta vez, não se obtém apenas um “1” , mas nenhum sucesso é obtido, então a ação é uma falha crítica. O Narrador decide que o Sabá pensou que você talvez possa tentar fugir como um punk desgraçado e apoiou uma empilhadeira na escada, bloqueando-a totalmente. Sem escolha além de virar-se e encará-los…

A falha crítica é um lugar em que alguma criatividade da parte do Narrador cai muito bem. Não há nada de errado em ter uma falha crítica que significa que uma arma caiu da mão ou um carro parou durante uma perseguição, mas uma falha crítica também pode ser um golpe de sorte estranho que acontece em um momento absurdo ou um efeito borboleta que pode assombrar a crônica em outra hora. Em vez de deixar cair a arma, talvez um teste de armas de fogo que resultou em falha crítica signifique que a arma disparou muito perto do rosto da atiradora, cegando-a ou ensurdecendo-a. Talvez um teste de Condução que resulte em falha crítica sugira que, conforme o carro derrapou ao virar a esquina, o Toreador cativo no banco de trás escapou ou o envelope cheio de fotos incriminadoras caiu pela janela aberta. Falhas críticas devem criar uma nova reviravolta dramática para a cena em que ocorrem. Elas não têm de ser sempre desilusões infalíveis.

Fonte: Vampire: the Masquerade 20th Anniversary Edition – página 250
Tradutora: Eva

Sobre Eva

Tradutora, revisora, escritora e sonhadora. Anarcafeminista em constante estado de amor e horror com o mundo. Editora no Livro dos Espelhos.

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