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Facções Históricas do Culto do Êxtase – Parte 1

15/08/2013

Etty_William_Bacchante_Playing_the_TambourineNo artigo de hoje, trago para vocês quatro (ou duas) das facções históricas do Culto do Êxtase. Hoje é a vez dos K’an Lu, da Sociedade de Pã, das Mênades e do Beijo de Astarte.

No próximo artigo dedicado às facções internas desta Tradição teremos as duas facções que faltam aqui – Erzuli Jingo e Vratyas.

As Facções Históricas do Culto do Êxtase

Enquanto alguns grupos defendem o Código de Ananda e outros o rejeitam completamente, alguns o veem simplesmente como um guia, e não o adotam e nem o contradizem. Geralmente estes grupos fazem partes de antigas tradições da cultura humana, com séculos de existência. A maior parte dos feiticeiros do Culto está justamente nestes grupos, já que seus estilos antigos e ritualizados facilitam certos aprendizados.

Apesar de sim, trazerem algumas inovações, como todas as artes praticadas pelos Extáticos, estes grupos seguem códigos de conduta e métodos que não mudam muito desde os tempos realmente antigos – apesar de aceitarem, eventualmente, algumas adaptações, e este grupo concentra desde seguidores dos Antigos Caminhos até a galera da Nova Era e sua adoração por cristais. Estes grupos já existiam antes do Código de Ananda, então não foram criados ou organizados com ele em mente.

K’an Lu

Os K’an Lu, apesar de defender a maioria dos preceitos do Código, não voltam suas artes para a cura dos outros ou para levá-los rumo à iluminação. Eles preferem se focar em se aperfeiçoar, Ascender e não se preocupar com questões cármicas. Eles procuram unir os princípios opostos do Ying e do Yang em si mesmos para alcançar a imortalidade – o que, para eles, é a própria perfeição. Como tal, são um secto Taoísta da China, e muitos deles descendem dos Imperadores Han e guardam relíquias destes mestres do Tao. Diferente da Irmandade de Akasha, eles não são ascetas, praticando a unificação dos opostos através da recepção de sensações extremas, como comer alimentos muito picantes, mergulhar em lagos congelados, celibato forçado por modificações corporais nas genitálias ou coisas mais simples, como música e dança, que também lhes serve de foco.

Sua estrutura rígida não atrai os Cultistas mais mainstream, mas muitas de suas práticas se infiltraram nas práticas dos Cultistas ocidentais, principalmente entre os Portadores do Prazer, mas também entre membros da Sociedade Dissonante. No entanto, não se sabe exatamente se estas práticas foram para os outros grupos como deveriam, uma vez que a maioria dos K’an Lu não fala sobre suas práticas – bem, não se pode nem dizer que os K’an Lu realmente existam hoje em dia.

O governo chinês, num esforço para extirpar os membros rebeldes de sua sociedade, coloca membros, seguidores e praticantes destes caminhos no topo da lista de indivíduos indesejados. Ou seja, os K’an Lu se tornaram raros e é muito difícil que um Tradicionalista encontre um deles. Não se sabe se eles estão mesmo se extinguindo, se estão deixando o mundo físico ou apenas se escondendo. Alguns têm ido para os Estados Unidos, mas não parecem estar se organizando – preferem manter contato apenas com Akáshicos ou mesmo com outros Extáticos.

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A Sociedade de Pã

Mais antigos do que os K’an Lu, o grupos que viriam a formar a Sociedade de Pã pratica sua mistura de intoxicação, arte e comportamento amoroso pelos campos da Grécia antiga desde tempos imemoriais, enraizando-se nos cultos dos mistérios dionisíacos importados do oriente. Deleitando-se com a pura paixão da natureza humana, a Sociedade se formou quando seres humanos e Sátiros, seres criados a partir da pura alegria dos seres humanos, se juntaram e se estabeleceram na natureza intocada dos campos.

Procuram guiar a humanidade a sempre fazer o seu melhor, sendo indulgentes com a natureza humana (discordando dos Portadores do Prazer, defendem que a violência sem sentido faz parte, mas que os serem humanos tendem a ser virtuosos). Defendem que aquilo que é humano vem à tona quando a humanidade está em sua forma mais pura, durante lapsos de consciência, seja fazendo amor, seja fazendo arte, seja bêbada ao ponto da insensatez. Procuram se afinar com a batida inconsciente do coração da humanidade justamente durante estes lapsos do consciente, quando seus verdadeiros desejos surgem na superfície.

Concentram-se em curar, acalmar e inspirar, podendo usar de bebida para guiar os outros a buscar sua natureza humana, seja em busca do amor, seja em busca do rancor. A dança os une e os liga a poderosos sentimentos de amor uns pelos outros, independente do participante ser humano, espírito ou fada. Nos dias atuais, a Sociedade se organiza livremente, mas com constantes reuniões que variam entre festivais de arte a círculo espontâneo de tambores a orgia subsequente. Nestes tempos de vida mundana e cheia de pesar, a Sociedade tenta incorporar tantos membros quanto possível – tanto que, na edição Revisada, incorporou às suas fileiras as Mênades e as Astarites.

Mênades

As Mênades possuem um dos legados mais impressionantes do Culto: Tali Eos, uma das fundadoras da Tradição, foi uma delas. Devido a isso, essas seguidoras de Dionísio desfrutam de uma posição sólida entre os Extáticos e, ao mesmo tempo, uma ligação profunda com a tribo de lobisomens Fúrias Negras, o que é ótimo pra elas, já que são muito ferozes e sangrentas, e seus festins invariavelmente terminam com sangue derramado e corpos escondidos. Dada a criminologia e a moralidade modernas, muitas seitas de Mênades são mais discretas que seus antepassados e trabalham em centros de controle de crises de estupro, creches infantis e agências do governo em cargos intermediários. A cada lua cheia elas se reúnem em algum lugar recluso para beber, dançar e clamar por Dionísio em seu aspecto andrógeno, libertando seu espírito para correr livre pela Terra, quando todos os insultos e sofrimentos devem ser purgados. Conforme a noite avança, a festa fica mais frenética, e pobres daqueles que cruzarem com as Bacantes em frenesi selvagem.

Elas são muito talentosas com as Esferas de Vida e Mente, e muitas usam armas arcaicas quando vão para a batalha. Algumas se iniciam nos caminhos do Espírito com suas irmãs Fúrias Negras, e possuem muitos membros Adormecidos em suas fileiras – que aceitam os Efeitos mais vulgares com naturalidade, conduzidos pelo frenesi de seus rituais. Apenas as Bacantes Despertas mantém contato entre si para além dos festins, que aproveitam para usar suas artes de Tempo para cobrir rastros de suas festas selvagens.

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Na Edição Revisada de Mago, as Bacantes perderam suas conexões com as Fúrias Negras e se juntaram à Sociedade de Pã sem, contanto, seguir suas diretrizes mais gerais, preferindo seus próprios caminhos.

O Beijo de Astarte

Conhecidas como Astaristas, esta seita paganista moderna também possui estreitos laços com as Fúrias Negras, principalmente nas Américas. Estas místikas usam rituais sutis para direcionar suas Vontades para o rejuvenescimento, a cura e mesmo, ocasionalmente, para a retribuição. Música, canto e dança são partes importantes de seus rituais, assim como drogas que despertam a visão (como o peyote e a beladona). O sexo ritual potencializa seus feitiços e celebrações. A maioria das Astarites é lésbica.

Em muitos pontos, são parecidas com os Verbena, com quem compartilham laços estreitos. Entretanto, apesar de também serem seguidoras da Grande Mãe Terra, estas Extáticas se concentram mais em estados de consciência do que na conexão com Divindades ou com o self sagrado – e possuem muitos inimigos a espreita. Na Edição Revisada de Mago, as Astarites perderam suas conexões com as Fúrias Negras e se juntaram à Sociedade de Pã sem, contanto, seguir suas diretrizes mais gerais, preferindo seus próprios caminhos.

Próximo Artigo: Facções Históricas do Culto do Êxtase – Parte 2 >

Fonte: Tradition Book Cult of Ecstasy 1st Edition e Tradition Book Cult of Ecstasy Revised Edition
Imagem: Bacante Tocando o Tamborim de Etty William
Tradutora e resenhista: Eva

Sobre Eva

Tradutora, revisora, escritora e sonhadora. Anarcafeminista em constante estado de amor e horror com o mundo. Editora no Livro dos Espelhos.

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