Drive Thru RPG

E a Família do Seu Personagem?

18/05/2012

O maior temor ao construir o prelúdio de um personagem novo é a forma como o Narrador pode vir a tratar qualquer personagem secundário colocado lá. No Mundo das Trevas se torna ainda mais difícil: muitas vezes temos a impressão de que a família e os amigos do personagem servem apenas como motivo para chantagem e sequestro, ou uma forma de conseguir informação sem pagar pontos por Antecedentes como Aliados ou Contatos. Felizmente, não é bem assim. Enriquecer a família de um personagem, dando forma às camadas psicológicas e certa profundidade humana ajuda a entender quem seu personagem é, de onde veio e o motivo dele agir como age em relação aos outros.

Nem sempre essa relação precisa ser um dos famosos “dramas rpgísticos”, do tipo “Meu personagem é órfão e superpoderoso”, ou “Meu pai era mau, minha mãe mais má ainda, eu fugi de casa”. Muitos padrões e sutilezas podem ser acrescentados com personagens ou histórias simples. Por quê não explicar o fato do lobisomem ser protetor com feiticeiros se dever ao fato da Parente que deu a luz à ele ser também uma feiticeira? Por que não deixar a personalidade de uma criatura aflorar por pontos como a própria infância, criação? Esses exemplos e experiências não precisam ser positivos: muitas vivências tem a ver com traumas e tristezas. Mas é basicamente uma das coisas que nos torna quem somos – a forma como socializamos (ou deixamos de socializar) com aqueles ao nosso redor.

Pode ser difícil convencer um jogador a testar e enriquecer seu prelúdio – mas é por isso que algumas perguntas já estão nos livros básicos, para ajudar na tomada de decisões. Para os jogadores, mostrar que a família e os amigos do personagem não são apenas materiais de chantagem é um pouco mais trabalhoso, mas igualmente divertido. Através da própria interpretação, dá pra abrir caminhos e mostrar relacionamentos tridimensionais, expor o fato do personagem realmente se importar com aquelas pessoas.

A família é uma boa forma de puxar ganchos de histórias, ou servirem como instrumento para eventos não necessariamente ligados a eles, através de memórias, flashbacks ou uma aparição inesperada. E além de tudo, nada é mais divertido do que poder deixar a imaginação correr solta também com mais esse pedacinho interpretativo das histórias…

Autor: Emi
Revisor:Eva

Sobre Colaboração

Artigos publicados por leitores ou ex-autores do blog, que gentilmente colaboraram conosco ao longo dos anos. Artigos de opinião não necessariamente expressam a opinião das autoras do blog; traduções e resenhas têm suas informações checadas.

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