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Dragões no Mundo das Trevas

15/03/2012

Dizem que não existem dragões. Mas também dizem que não existem lobisomens, vampiros, magos, e até mesmo fadas. Mas algumas vozes, vindas de um passado distante, contam histórias de um tempo em que o mundo dançava nas ondas do caos primordial. Conheçam a história da deusa Ellisere e as batidas de seu Necronome.

A Lenda

No tempo antes do tempo, muito antes da luz da civilização descer por sobre a terra, a maior parte do mundo era selvagem e sem forma. Naquele tempo, um poder hoje esquecido dominou – uma força repleta de caos, cuja passagem dispersou os frutos dourados de conhecimento e poder que alimentou nossa espécie em sua infância.

Este poder era chamado de “Modus” e reinou por muito tempo em suas Cortes de Silêncio antes mesmo da primeira criatura caminhar sobre a face da Terra. E seus filhos se juntaram a ele, e foram para ele um grande conforto.

Certamente, ninguém poderia ter previsto as trágicas consequencias quando Ellisere, a filha de Modus, deusa da Inspiração e da Invenção, levou o seu mais recente brinquedo para as Cortes do Silêncio. Ela chamou este estranho dispositivo de “o Necronome”. Seu eterno tique-taque parecia ecoar o ritmo de seu coração. Nele, ela encontrou os indícios sutis de um padrão que abria grandes perspectivas de inspiração. Infelizmente, o tique-taque infernal levou todos à loucura e as Cortes do Silêncio já não eram mais um lugar de refúgio.

Algo precisava ser feito. Depois de muita deliberação, Modus baniu o objeto das Cortes. Depois disso, Ellisere era vista cada vez menos e menos. Ela se enclausurou em uma remota montanha no meio do turbilhão da criação para seguir adiante em sua visão e em sua nova arte – música – que estava tomando forma com a ajuda de seu Necronome.

Os sons estranhos e maravilhosos de sua arte emergente atraiu muitas e variadas criaturas do crisol da criação. Eles vieram a ela e a amaram, e ela lhes ensinou seu caminho.

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Os Primogênitos foram os grandes wyrms, mestres do ar e do fogo. Os tons rústicos, primitivos da recém-descoberta arte formaram sua magia e seu poder. Com o tempo, todas as criaturas conheciam música e muitas raças diferentes – incluindo aquelas que agora são conhecidas apenas através de canções ancestrais – vieram se sentar aos pés de Ellisere para receber sua dádiva. Finalmente, o homem superou o medo das coisas selvagens que assolavam os confins do mundo e achegou-se a Ellisere para aprender com ela.

Nesta altura, a Arte havia mudado. A música não era mais um meio simples de expressar a visão de harmonia de Ellisere. A cada ensinamento sucessivo, a Arte cresceu para abarcar novas emoções. Os grande wyrms, por exemplo, reuniam avidamente notas resplandescentes de poder e as trabalhavam em escalas – de avareza, de ganância, de armadilhas para aqueles que quisessem roubar seus tesouros. A chegada dos homens também teceu muitas emoções complexas na partitura, que nada mais era do que ciúme.

É de se duvidar que mesmo Ellisere possa desconfiar quem, um dia, invadiu seus aposentos. Alguns boatos especulam que a motivação do invasor poderia ter sido o ciúme da devoção de um pensamento apaixonado totalmente devotado à deusa. Outros sugerem que o intruso agiu por medo – de que alguma outra raça pudesse aprender uma forma mais complexa de Arte do que a possuída pelo homem. Tudo o que se sabe ao certo é que, naquele dia, alguém foi até o Necronome e parou seu braço oscilante no meio do caminho. O silêncio que se seguiu foi completo. Nenhum grito ecoou no momento em que o Necronome e o coração da deusa cessaram suas batidas. Em sua tristeza, os grandes wyrms reuniram os seus tesouros, música e escalas preciosas, se envolveram em suas grandes asas de couro e levantaram vôo. Eles passaram através da Terra nos ventos tristes e pousaram quando a fadiga os venceu, encravando então suas tocas nas montanhas.

Lá, diz-se, eles ouvem os ecos da arte de Ellisere nas cavernas infinitas. No coração da Terra, os dragões clamam, você ainda pode ouvir os refrões das primeiras canções num ritmo triste com o final do tique-taque do Necronome da deusa.

Fonte: The Bygone Bestiary
Tradução: Eva

Sobre Eva

Tradutora, revisora, escritora e sonhadora. Anarcafeminista em constante estado de amor e horror com o mundo. Editora no Livro dos Espelhos.

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