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Dragões Elementais no Mundo das Trevas

24/09/2012

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Continuando com os artigos falando de dragões no Mundo das Trevas (você pode ver o artigo sobre dragões clássicos aqui), vamos falar hoje dos dragões elementais, ou, como são chamados, dos Grandes Dragões Celestiais.

Como muitas coisas no Clássico Mundo das Trevas, os dragões se baseiam em mitos presentes na humanidade do mundo real para, então, serem usados no desenvolvimento de toda uma mitologia própria, instigante e grandiosa, mesmo em um mundo que se aproxima a passos velozes de seu fim – mesmo a maravilha pode existir em meio ao desespero, e talvez, apenas talvez, não seja tarde demais.

Além dos dragões clássicos e dos dragões celestiais, temos ainda um tipo de dragão, os chamados dragões menores, que serão abordados em um artigo no futuro.

Todas as informações aqui contidas foram traduzidas e/ou adaptadas do livro The Bygone Bestiary.

Elementos Encarnados: Grandes Dragões Celestiais

Mais espírito do que matéria, os grandes dragões celestiais tipicamente possuem centenas de metros de comprimento, e raramente aparecem antes do homem. O jovem dragão leva mil anos em seu ovo, antes de emergir dele como uma pequena cobra. Durante os próximos dois mil anos, o dragão vence, aparecendo por sua vez sua cabeça parecida com a de uma carpa, suas garras, seus chifres e, finalmente, suas asas. Conforme cresce, o dragão alcança maestria sobre a mudança de forma e os elementos. Quando atinge a idade adulta, a criatura recebe algumas atribuições pelos poderes celestiais – algumas benevolentes, outras terríveis. Para cumprir o seu propósito, o dragão ascende para Outros Mundos e funções como um emissário entre o Céu e a Terra.

(Nota de Crônica: Essas entidades são mais forças da natureza do que bestas; ainda que um Narrador possa escolher um dragão celestial como instrumento de sua história, nenhum jogador deve ter um como personagem. Dragões celestiais podem, ocasionalmente, assumir a aparência humana, mas mesmo assim, eles se parecem algo um tanto alienígena, como são as coisas divinas.)

Dragões Celestiais – Fogo

Os dragões celestiais de fogo são criaturas majestosas com paras de cinco garras e escamas do mais puro ouro. Grandes o suficiente para levar os palácios dos deuses em suas costas, estes dragões são de semblante extremamente feroz e temperamento severo. Apenas carne e carvão podem alimentar estes animais, e eles são terríveis quando estão com fome.

Como os sábios sinistros das tradições Legalistas, estes poderosos semideuses aconselham a honra rígida, a ação correta e a perfeição pessoal. Patronos das Artes Akáshicas, estas criaturas ocasionalmente se manifestam em enormes tempestades. Durante a Guerra do rio do Dragão, três dragões de fogo reduziram um exército de demônios menores às cinzas – e ferveram o Rio Qui até o ponto do vapor. Um dragão celestial fala através de trovões e demonstra pouca paciência para com a humanidade. A menos que sejam convocados por alguma grande necessidade, eles residem nos Céus ou grandes palácios de ofícios no coração dos vulcões.

Dragões do Clima – Ar

Os dragões do clima (elemento ar) brilham em tons sempre mutáveis de azul e dançam através do céu em seis pares delgados de patas. Os reinos das nuvens e do mar aberto são parques de diversões para estas bestas espirituais, que trazem tanto a chuva, que dá a vida, como as tempestades que carregam a morte. Estes dragões voam sem esforço, mesmo sem ter asas. Eles vêm rápido como o vento e possuem um ataque penetrante. Em contraste com seus primos de fogo, estas criaturas serenas respeitam a harmonia e o equilíbrio sobre a força bruta.

Quando provocado, um dragão do ar pode devastar um vale inteiro, como aconteceu em Kin Lin na época dos Cinco Feiticeiros Fantasmas. O mais comum, no entanto, é que a besta divina prefira ensinar aos amigos a humildade, a música e a paciência. Em seu palácio dos ventos, um dragão do clima espirala perto de sua fonte, ouvindo as gotas de água que caem em sua bacia, sobem aos céus e caem outra vez. Se inquirido, ele poderia responder que nenhum outro estudo é essencial para aquele que entende aquele fluxo.

Dragões Terrestres – Terra

Os dragões terrestres (elemento terra) governam as vias navegáveis interiores. Seu domínio sobre a terra provém do dom da fertilidade que eles trazem para os campos e de sua autoridade em repartir a terra em províncias distintas. Cada rio tem seu próprio Dragão Rei que governa as suas águas de seu palácio submerso. Esses governantes são aterrorizantes e irresistíveis em sua ira. Sinuoso e musculoso, um dragão de terra usa quatro conjuntos de escamas – vermelho terroso, marrom cor de lama, verde escuro e verde esmeralda brilhante – conforme avança para a maturidade. Ele escolhe seu caminho através da terra se movendo em seis patas enormes, deleitando-se em florestas e árvores.

Em sua juventude, um dragão terrestre é robusto, firme e conservador. Embora não seja duro como seu primo de fogo, este patrono dos místicos Taoistas é um grande supervisor. Disfarçado de humano, muitas vezes ele vaga pelo campo vestido como um monge e oferece ditados enigmáticos a quem o encontra. Para seu sustento, este vegetariano exclusivo consome enormes quantidades de folhagem, e então faz a planta crescer novamente com o poder de sua magia.

Dragões Subterrâneos – Metal

Os dragões subterrâneos de metal são grandes colecionadores, habitando nos lugares ocultos da Terra. Estas entidades são guardiãs dos tesouros espirituais e materiais, e são ciumentos com o seu dever ordenado pelo Céu. Postados às portas das Cortes Elementais de Terra e Metal, estas grandes bestas podem ver a ganância ou a generosidade no coração humano. Um dragão de metal brilha como diamantes e caminha com uma marcha cambaleante em quatro patas leoninas.

Sábios nos caminhos da ciência e do misticismo, os dragões metálicos são, todavia, criaturas de capricho e ambição. Uma vez, de acordo com a doutrina de Akasha, eles tentaram derrubar os próprios deuses. Cinco rebeldes foram capturados, marcados com o selo do Imperador Celestial e lançados em celas sob o Monte Meru. De vez em quando, eles agitam e abalam os alicerces da montanha perdida, causando ondas na Poça ao centro da sociedade Akáshica. Dois dragões de metal se recusaram a se rebelar. Ambos são experientes o suficiente, mas muitas vezes abandonam seus postos para viajar para a Terra em formas humildes. Wan Ko favorece os pássaros, de forma que ele captura bugigangas fascinantes e as leva consigo para seu posto. Han Qwa Shen assume a forma de uma mulher de cabelos dourados. Seduzindo igualmente mortais e espíritos, ela reúne os presentes que eles lhe dão, coloca-os em uma cesta de junco e os leva consigo para a Corte da Terra.

Grandes Dragões do Mar – Água

Os grandes dragões do mar possuem manchas verdes e de um azul profundo, e muitas vezes chegam a ter de 4 a 6 mil metros e meio de comprimento. Sem asas e sem patas, essas serpentes enormes viajam exclusivamente nadando. Estas são as bestas chamadas de Leviatã, Jörmungandr, Lung Yu e outros nomes secretos. Nas profundezas sem sol, eles mantêm cortes que poderiam levar um homem mortal à loucura. Nenhuma força na Terra pode resistir a tal besta que, irritada, levanta tufões, terremotos e maremotos. Krakens e baleias servem de alimentos para estes dragões, e enormes Reinos marítimos vazam para dentro de seus domínios.

De vez em quando, um dragão do mar assume uma forma menor, nadando entre os peixes ou transportando-se para a terra seca para caminhar entre os homens. Algumas pessoas dizem que se você passou por uma mulher de cabelo molhado e olhos cor de mar tempestuoso, você já viu um dragão do mar em carne e osso. Nos dias posteriores, quando os oceanos já estavam poluídos e seus grandes animais haviam sido abatidos, dragões do mar podem ocasionalmente vir à terra, contra as criaturas irritantes que aqui moram. Mas não é da vontade do Céu que a humanidade seja expurgada, de modo que os dragões seguram a própria ira. Ainda assim, a mulher com olhos de oceano agitado tem um esgar duro em seu sorriso, e contorce as próprias mãos nervosamente, como se estivesse pronta para atacar.

Fichas dos Grandes Dragões Celestiais

A majestade dos grandes dragões celestiais vai muito além da capacidade das Características do sistema Storyteller. Caso tal criatura apareça, assume-se que ela possa fazer mais ou menos o que quiser, dobrando os elementos à sua própria vontade como um arquimago. Centenas de metros (ou mesmo de quilômetros!) de comprimento, este espírito-titã se manifesta como uma grande tempestade, nuvens em forma de dragões ou como um viajante humilde (às vezes humano, às vezes não) com os talentos de um deus – e sabedoria para não utilizar tais talentos.

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Fonte: The Bygone Bestiary
Tradutora: Eva

Sobre Eva

Tradutora, revisora, escritora e sonhadora. Anarcafeminista em constante estado de amor e horror com o mundo. Editora no Livro dos Espelhos.

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