Drive Thru RPG

Crossovers no Mundo das Trevas

02/03/2012

O Crossover é a união de cenários e personagens diferentes dentro de uma única história. É uma idéia comum a de imaginar que cenários diferentes dentro do Clássico Mundo das Trevas, por usarem das mesmas regras, sejam completamente compatíveis. Eventualmente, criaturas sobrenaturais se encontram, e as bases dos sistemas são interessantes, tanto para antagonistas quanto para NPCs. Jogos com grupos mistos, no entanto, são difíceis de se conduzir.

O motivo real pelo qual os crossovers são desaconselhados não são as regras, mas sim as mudanças brutais na forma como cada cenário vê o jogo, e a ‘mutilação’ de partes dele em detrimento da acomodação de um personagem ou outro que simplesmente não possui muito em comum com o resto. E veja bem, nem me refiro ao fato de personagens terem de ser de Tribos/Tradições/Kiths parecidos. Mas se torna difícil alcançar o maior potencial do jogo quando você tem aspectos muito diferentes entre si. Um exemplo? Como explorar todo o potencial da Guerra da Ascensão se o resto dos personagens do grupo são lobisomens? Por que interviriam em uma luta que nada tem a ver com eles? Por que o mago estaria interessado em se relacionar profundamente com a sociedade vampírica local, a ponto de estar num bando de vampiros do Sabá? E ainda pior… como conciliar Nodos/Caerns/Freeholds?

Sobre crossovers, cadeiras de jardim e entidades que não são o que parecem

Outro bom motivo para evitar crossovers entre grupos de jogadores… bem, é a quantidade de vezes em que o caos é instaurado por que todas as vantagens dos grupos presentes devem ser acumuladas. Abominação-feiticeira? Mago-parente-de-tudo? Ahem….Samuel Haight? Aliás, Samuel Haight é um bom, ótimo exemplo do que não fazer em uma campanha de crossover. E o motivo pelo qual certas coisas perdem o impacto. Num mundo com uma quantidade pequena de criaturas sobrenaturais em relação à quantidade de habitantes ‘comuns’, criaturas realmente difíceis de serem encontradas conciliando habilidades de dois grupos ou mais deveriam ser exceções, se presentes. Também se torna difícil de equiparar o nivel de poder de um grupo, e portanto, conceber desafios pertinentes que não tornem tudo uma salada de fruta. Seus jogadores podem acabar reclamando de serem vampiros e estarem apanhando por não saberem lançar bolas de fogo ou não poderem se regenerar… ou terem virado bonitas cadeiras de jardim no primeiro confronto com seus amigos de história.

O aspecto do mistério do Clássico Mundo das Trevas muitas vezes é esquecido pelos mestres e jogadores veteranos. A vontade de unir personagens e grupos favoritos pode ser grande, ou de fazer aquele combo magicamente invencível. Se isso agrada a você e ao seu grupo, ótimo. Esqueça tudo o que foi falado aqui. Mas se a ideia é tirar proveito de aspectos mais profundos ou de campanhas mais longas, talvez valha a pena pensar em não permitir o crossover entre os personagens de espécies diferentes. Se o grupo e o mestre são experientes e pretendem montar uma mesa mista, o desafio e a dor de cabeça podem ser grandes. Mas talvez os resultados sejam recompensadores. Tem histórias para contar de crônicas ou aventuras de Clássico Mundo das Trevas onde a mistura deu certo? Comente. : D

PS: Apesar de Samuel Haight ser citado como exemplo, a autora nutre um apreço especial pelo NPC. E assim que possível, pretende comprar o livro Chaos Factor. <3

Autor: Emi
Revisão: Eva

Sobre Colaboração

Artigos publicados por leitores ou ex-autores do blog, que gentilmente colaboraram conosco ao longo dos anos. Artigos de opinião não necessariamente expressam a opinião das autoras do blog; traduções e resenhas têm suas informações checadas.

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