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A Língua dos Lobisomens e os Glifos

25/09/2012

Todo povo possui uma língua própria – este é um dos pré-requisitos para que um povo seja identificado enquanto nação. O outro pré-requisito é uma identificação cultural própria, ainda que multifacetada, e a língua está intrinsecamente ligada na identificação cultural. Não é à toa, portanto, que os lobisomens se refiram à coletividade de suas Tribos como Nação Garou.

Enquanto sua cultura, por ser múltipla, possui variações tribais importantes, eles possuem uma língua própria, falada por todos, ainda que com sotaques e peculiaridades variáveis, dependendo da Tribo. É a comunicação geral dos Garou, oral e escrita, que vamos explorar um pouco neste artigo.

No próximo, pretendo trazer pra vocês uma galeria de glifos Garou, para que possam usar para produzir acessórios legais em suas campanhas de Lobisomem: O Apocalipse.

Linguagem dos Garou

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Os Garou possuem linguagem própria, inventada pela tribo dos Fianna no passado nebuloso. Todos os Garou aprendem essa linguagem imediatamente depois do Rito de Passagem, e embora de região para região existam diferenças de sotaque e dialeto, quaisquer membros da sociedade Garou podem comunicar-se entre si. Porém, muitas palavras novas podem ser mal interpretadas por Garou isolados. Além disso, os Lunáticos e os filhotes perdidos, aqueles que nunca descobriram sua verdadeira natureza, não conhecem a língua Garou.

A linguagem Garou contém muitos aspectos psicológicos interessantes. Nela, a linguagem corporal e o tom são tão importantes quanto as próprias palavras. Há tantas metáforas para cheiros quantas há para visão. Por último, certas palavras não podem ser pronunciadas pela garganta de um humano ou lupino e, portanto, requerem um grau de transformação parcial; a maioria dos Garou consideram essas palavras “difíceis”.

Os Garou na forma Hispo ou Lupus podem se comunicar livremente com os lobos. Os Garou em outras formas podem tentar isso também, mas podem ser mal compreendidos. Ao contrário da linguagem Garou, a capacidade de se comunicar com lobos é uma capacidade inata.

A língua específica, falada pelos Garou, é chamada de arnharm.

Uivos

Os uivos dos lobisomens são suas formas de expressão mais poderosas e evocativas. Uivando, os Garou podem condensar enormes quantidades de informação numas poucas palavras. Dominar o uivo é o trabalho da vida de um Dançarino da Lua (para a irritação de seus amigos de orelhas pontudas, se ele não for talentoso).

Os uivos costumam ser iniciados por um Garou, mas outros se juntam prontamente ao primeiro. Qualquer que seja o uivo empregado, despreza-se a harmonia, valorizando-se a cacofonia. Quando dois Garou atingem a mesma nota, um instintivamente eleva o registro, mantendo assim a dissonância. Através dessas técnicas consegue-se fazer com que a alcateia pareça maior do que realmente é de modo a intimidar os inimigos.

Existem vários tipos de uivos; eis os mais comuns:

• Hino de Guerra – Os Dançarinos da Lua elevam este inspirador grito de guerra para congregar seus irmãos para a batalha, ou para animá-los se perderam o ânimo.

• Chamado de Socorro – Usado pelos Garou para pedir a ajuda de suas alcateias. Embaraçoso, mas ocasionalmente necessário. O uivo soa um pouco como o latido de um cachorrinho pela mãe.

• Chamado para a Caçada – Uma ululação longa e baixa usada para alertar a alcateia sobre a posição e o tipo da presa.

• Cântico de Desafio – Inventado pelos Fianna, o cântico é um recital sistemático do nome de um indivíduo, sua alcateia, seita, linhagem, tribo e façanhas, seguido por um insulto criativo aos hábitos pessoais desse indivíduo, sua ascendência e façanhas. Obviamente, este uivo é usado para iniciar duelos.

• Maldição de Desonra – A seita ou tribo usa este rosnado para desonrar e escarnecer daqueles que caíram em desgraça.

• Réquiem dos Caídos – Este é um uivo lúgubre, baixo e longo, empregado como um réquiem por aqueles que morrem de forma honrosa; o volume e a duração dependem da posição do falecido na sociedade Garou.

• Rosnado de Precedência – Uivado por um Garou que deseja travar um combate lobisomem-a-lobisomem com um inimigo. O rosnado não precisa ser atendido pelos indivíduos de maior Renome, mas geralmente ele é.

• Canção de Escárnio – Este é um tom particularmente irritante que os Ragabash acrescentam aos outros uivos. Ele não falha em enfurecer Ahroun, Senhores das Sombras, etc. É um gesto insultoso – o equivalente Garou a mostrar o dedo do meio.

• Sinfonia do Abismo – Um ganido reverberante e enlouquecido, usado pelos Dançarinos da Espiral Negra durante as caçadas. A canção é planejada para aterrorizar as presas, e normalmente funciona.

• Grito de Alerta – Este uivo é um sinal geralmente mais perigoso, usado com frequência para avisar sobre desastres naturais.

• Aviso sobre a aproximação da Wyrm – Um uivo muito agudo, emitido numa série de rajadas em estacato. Empresa-se este uivo para anunciar a presença de lacaios da Wyrm.

A Língua Escrita: Glifos

Os glifos são a expressão escrita do arnharm. Possui suas peculiaridades e características próprias. Algumas Tribos adicionaram novos glifos, fizeram adaptações ou, ainda, adotaram outras escritas pictóricas advindas de seus Parentes humanos.

A Linguagem dos Glifos

A linguagem dos glifos é o veículo perfeito para a expressão dos lobisomens. Os Garou entalham seus pictogramas com suas próprias garras, como convém a criaturas de Fúria. Os glifos em si são muito flexíveis em significação, e emprestam a si mesmos uma multiplicidade de interpretações, dependendo de seu contexto – o mesmo glifo pode significar “Gaia” em uma marca ou “vivo” em outra. Apesar desse sistema parecer desnecessariamente simples, ele empresta muito bem padrões de pensamento tanto aos hominídeos quanto aos lupinos.  Nenhum outro sistema de escrita pode tão bem transmitir a essência do que é ser um lobisomem – e mais, do que é ser um Garou.

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Glifos têm poder. Cada pictograma entalhado a garra de Garou foi investido com uma porção de sua língua e carrega um pouco do espírito de seu significado. Na verdade, muitos espíritos reconhecem os glifos que os representam, e às vezes vão muito longe para responder como se tivessem sido invocados quando são apresentados seus símbolos. Muitos fetiches são, portanto, decorados com glifos que prestam homenagem ao espírito que nele reside como forma de chiminage. Tanto os Galliards quanto os Theurges aprendem a língua pictográfica tão rápido quanto possível; os dois auspícios reconhecem o poder dos nomes e seu dever de usar esta vantagem com sabedoria.

Uma nota de advertência: As explicações do que são os glifos, e como interpretá-los, não são exatamente o tipo de explicação que os novos filhotes recebem durante seu aprendizado. A maioria dos lobisomens não está familiarizada com os gramáticos, e contorna este problema aparente ao fazer parte de suas explicações sobre os glifos na língua Garou. Apesar de alguns filhotes acharem que é difícil traduzir a língua dos glifos em uma língua humana, torna-se muito mais fácil de compreender as nuances quando a abordam em um nível mais intuitivo.

Em outras palavras, ao juntar estes elementos para produzir frases, avisos ou mesmo curtos épicos, não fique muito preso à gramática ou a um “jeito certo” para se aglutinar as coisas. A única coisa que é realmente importante é o que parece ser certo – que é a única regra inviolável para uma linguagem visual.

Próximo Artigo: Os Glifos de Lobisomem: O Apocalipse – Parte 1 >

Fonte: Lobisomem: O Apocalipse 2a Edição – página 37 e The Silver Record – página 78 e 79
Imagens: First People
Autora/Tradutora/Adaptadora: Eva

Sobre Eva

Tradutora, revisora, escritora e sonhadora. Anarcafeminista em constante estado de amor e horror com o mundo. Editora no Livro dos Espelhos.

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